domingo, 13 de dezembro de 2015

Alguém viu o Lúcifer?

Tava esses dias pensando sobre atitudes.
Tudo bem: tema amplo... é preciso especificar.

Tava pensando sobre atitudes e os reflexos delas interrelações.
Tudo bem: tema ainda amplo... 

Tava pensando sobre atitudes, os reflexos delas entre as pessoas, mas sobremaneira no quanto a gente tá acostumado a se culpar quando não se encaixa no padrão esperado dentro dessas atitudes.

É. Acho que ainda não tá inteligível...

Tava pensando mesmo é no quão necessário é pro mundo achar lógica nas atitudes das pessoas.
É. Acho que é isso. É nisso que andei pensando, mas ainda não to exatamente onde quero chegar... acho que só tentando:

Tudo bem que na vida é sempre preciso uma lógica. Acho mesmo que muita gente -Oi.- tem dificuldade em lidar com a falta dela.

No entanto, quase sempre a lógica vista de fora não é exatamente a mesma de quem tá dentro.

É preciso, tantas vezes, se colocar no lugar das pessoas pra poder tentar tatear -já que saber exatamente nem sempre é possível até mesmo pro sujeito agente- o caminho percorrido pelas vontades todas. Ou a falta delas.

O que me parece é que há uma tendência quase natural -que eu prefiro mesmo é chamar de insensata- de atrelar conceitos considerando 'proximidades'.

É... vai ser tenso me explicar...

Proximidades?

É. 

Mais ou menos como quando a gente quer mudar de casa e quem tá de fora acha que a gente tá fazendo o melhor negócio do mundo, mas na verdade a gente tá deixando pra trás uma história dolorida, que não propõe propriamente uma mudança tranquila, ou mesmo boa.

Ou quando te vêem mais magro, mas... sequer sabem que não foi esforço de academia, mas sim uma pneumonia desgraçada que te ganhou no paparico.

Ou ainda quando acham que você tá saindo da casa dos pais porque não suporta mais eles, mas na verdade tá mesmo é tentando se bastar: o movimento não é de ira, mas de independência. E só você sabe o quanto vai sentir falta daquele feijão com bacon esperto...

Tipo ainda quando a pessoa enche a lata na festa e todo mundo acha que ela tá sofrendo por amor: não, cara! O trouxa só encheu a lata porque tava feliz demais da conta e queria rir a noite toda!

Ou ainda aquela amiga maluca que transa sem parar com tudo e todos, e é julgada pra caramba, coitada... sobretudo depois do pé na bunda que levou daquele namorado que todo mundo adorava, mas que era um banana... e... fala sério: na real ela tá é 'comendo' a vida loucamente porque é livre. Achou melhor.

Tem ainda a situação considerada 'extrema', da neta do vizinho que teve uma overdose porque cheirou cocaína a noite toda na festa e... putz! A vida dela é uma bosta... mas não é: tem dinheiro pra caramba pra comprar a melhor cocaína que existe, entrar na melhor balada, pegar o cara mais cobiçado já que ela é linda porque pôde pagar toda plástica do universo. E no fundo: ela é mesmo uma 'boa vivant': tem um namorado de infância que ela ama loucamente, mas não sabe ser fiel... daí aproveita a vida, já que nada falta e tudo sobra. E dessa soma toda, a overdose é só mais um capítulo da 'vida loca' que ela escolheu. 

É. Escolheu.

Atitude é escolha. Na minha cabeça, talvez, essa seja a única proximidade permitida entre conceitos dessa natureza.

Ninguém nunca sabe sobre molas mestras alheias: é muita presunção.

Ninguém nunca vai poder adentrar o mistério que é um cérebro que não seja o seu. 

O meu mesmo é um campo minado: eu não me sei na totalidade, mas me conheço o suficiente pra me procurar em mim. Eu sempre sei pra onde voltar aqui dentro.

E acredito mesmo que a grande maioria das pessoas interessadas no assunto 'elas por elas mesmas' sabe pra onde voltar. Ou, ao menos, o fio da meada que largam pra trás enquanto se buscam pelo lado de dentro.

É subestimar demais a capacidade de autoanálise alheia o partir do pressuposto de que ninguém se enxerga como é.

Obviamente que psicólogos não se formam à toa: consultórios cheios, falta de horário... essa dificuldade em suprir as necessidades da vida moderna... ATIVA.

Saca o pulo do gato??

Uma vida.
Moderna.
Ativa.

Atividade -> atitude -> escolha.

Alguém em constante atividade não tá vazio. Não tá preenchendo espaço com fuga, ou válvula de escape, ou mágoa de cabocla, ou depressão pós fim de relacionamento... 

Gente que tem muito pra pensar e muito pra fazer acaba precisando fazer inúmeras escolhas nessa vida: mudar de ramo, mudar de rota, viajar demais, acertar agenda pra conseguir dar conta de tudo, inclusive reunir os amigos na mesa do bar, bebendo todas, rindo até tarde e ainda ir pra casa dirigindo porque não pode chamar o Uber: amanhã às nove tem de tá em Jundiaí pra poder levar a sobrinha pro torneio de vôlei, então... não vai dar pra deixar o carro no estacionamento que fecha depois das quatro da manhã... uma pena, mas... vai ter de correr o risco.

E ainda tem aquela da moça que passou uma vida virgem. De repente, criou coragem. 'Desandou'. E saiu por aí, à felação sem preservativo. Putz! Que burra. Eita! Que se lascou: ficou doente.

Tsc. Uma pena mesmo, mas... ela teve bem pouco tempo pra se preocupar em dar: cuidava da avó. Era enfermeira... Nem dá pra dizer que não sabia o risco que corria... mas... preferiu pagar o preço e viver como achou que deveria.

Hoje, neste exato momento, tá brindando a vida que teve.

Ela ri, enquanto conta ao novo amigo como foram as orgias na cobertura no Guarujá: apartamento do médico de quem era amigo. Um baita cara bacana e divertido, que soltava o som no último volume, incomodando vizinhos enquanto aplicava quetamina na geral que gostava dum sexo abusado.

É. É isso aí.
E tira lá a vodca do congelador! E vê se abre o energético: ela vai ter história pra contar e o Lúcifer adora um causo... tá lá se assuntando pra distrair. 

Fecha na caipirosca, que ele já tá com a carne no ponto: mal passada, esperando a bebida enquanto ouve, lúcido, as gargalhadas dela cheias de luz.

Vai logo, enquanto o sangue tá quente e ele foi ao banheiro!

E vê se não abusa no sal: tira o gosto bom da vodca cara e... o diabo do tesudo é hedonista!

Não tem tempo pra perder, não.






domingo, 18 de outubro de 2015

As comportas estão abertas.

- Por quem? 
- Por ele. 
- Ele? 
- Isso. 
- Quem é ele? 
- Ele é. 
- Não tem nome? 
- Tem, mas não importa. O importante é ser ele.

Mentalmente, as pessoas humanas enquanto seres viventes me questionam desse jeitinho aê.

Verbalmente, já ouvi dessas perguntas e, hoje, respondo de maneira reta e curta. Como ali está.

Ele um dia foi tema de texto. Em agradecimento ao acaso. 
Era um 'texto-presente'. No blog mesmo. Aqui.

Ele é livro que dorme.

Ele hoje é esse texto que é em mim sendo o meu eu nele.

Isso.
Assim mesmo. 
Embolado tudo junto.

Um dia, uma porta de garagem se abriu e ele entrou. 
Assim. No nada. Direto do buraco negro.

- Oi. Cheguei. Você nunca me viu, nem eu tenho muita certeza de nada nunca, mas muito acho que a gente tem, a partir daqui, uma História. -disse aquele sorriso maroto e tímido. 
- Oi. Se achegue. Eu nunca te vi. Nesta vida. Porque te reconheço. Não me pergunte de onde. Tampouco pra onde vou. Eu só consigo enxergar que vou te carregar sempre comigo. -reverberou meu pensamento mudo.

Gosto musical foi sempre muito importante pra mim: amo música.

Em geral, meus Amigos nem sempre curtiam tudo o que eu gostava. Um ou outro me acompanhava numa ou noutra preferência, mas nunca em... QUASE TUDO.

Ele sim. De cara. Na largada.

- Adoro essa música! 
- Cê conhece? 
- Sim!! Tenho todos os álbuns! 
- Mentira. 
- Juro. 
- Seeeeensacionaaaaaaaaallll!

Raciocínio lógico. 
Considerações sempre muito bem colocadas, mesmo em discordância.
Argumentos com forma. E conteúdo. 
Filosofia. 
Visão de mundo. 
Visão do externo. 
Visão interna. 
Psicologia. 
Profundidade. 
Semelhança.

E logo depois vieram os mesmos gostos gastronômicos. 
E tudo que haveria de ser novo: minha primeira comida japonesa. 
Marzipã.
Perdi as contas já de quantos "Bora no lugar tal? Lá tem um troço assim e assado que é um des-con-trôoole."

Fora o bacon básico da gula de cada dia. Que nem sempre pôde ser possível, dado o teor calórico.

A real é que Pecado Capital é um troço que atrai... 
E sempre traz gente que também peca. Uma desgraça! Hahahaha!

Nunca fui cinéfila. Nunca fiz questão. Até a primeira sessão de Cinema Europeu com ele. Não era um hábito.

A cidade brasileira que mais queria conhecer era Salvador. 
Check! Fui. Ele tava.

Sempre senti falta de alguém que me acompanhasse em exposições e olhasse prum quadro com a mesma ótica que eu. Ou que me acrescentasse o que não vi. 
Ele existia já: tinham aberto a porta da garagem feito a Porta da Esperança. Eu já tinha companhia. Então. 
Maoêeeee! Ufa.

Minha parceria na tormenta. Algumas. 
Eu saía do meu redemoinho por ele. Era quando ele vinha abrindo a Porta dos Desesperados e eu saía correndo descabelada, ouvindo Sérgio Malandro berrar glu-glu. Tipo isso.

- Para. Péra. Não. Calma. Releia. Carolina: sai do looping!

Tinha dias que queria não querer respirar. E pra sair da minha nudez eletiva pra botar uma roupa e tirar o carro de casa... olha: só muito Amor, vio?

[Tá. Ok. Às vezes, muito às vezes mesmo, eu continuava jogada na cama, mas... na Internet falando pelos cotovelos com ele. Que não sou obrigada. De nada.]

Daí que ele existia e era minha companhia predileta pra maioria das coisas. Eu ia.

Minha pior fase de grana. 
Não sobrava. Faltava.
Comprava meus tickets porque sabia que eu jamais aceitaria ajuda de outra maneira. 
E acho que fingia não ver que durante um tempo, 'preferi' trabalhar de ônibus, quando, na verdade, tava mesmo era economizando pra poder pagar meia no cinema duas vezes na semana: acontecia muito de ter quarta de cinema e repeteco no sábado. Ou domingo. Ou os três. 
E era ou gasolina todo dia, ou cinema com ele. 
Nunca houve disputa: entre qualquer coisa e ele, ele.

E as horas de conversa no carro? 
Hoje, quando lembro, faço contas mentais, penso em tantos fragmentos de conversa... Eu não sei precisar quanto tempo 'ganhei'.

- Ca-ro-li-nah: você é rê-tarda-dah! 
- Sou. E cê gosta. 
- Ah... num sei não, hein? 
- Tsc. Mente mal.

Cenas gravadas na memória. 
Cãibras na bochecha colecionadas nos momentos de riso ininterruptos. Chega a barriga dói quando acontece.

Densidade emocional. Muitas das conversas viraram pedaço de texto.

E... brigas. 
Inúmeras. 
As piores da minha vida. 
Eu tinha dor física, sempre que. 
Enxaqueca. Dor de estômago. 
E passou a ter ar de "nunca mais". Que durava até não suportar mais a falta: um dos dois cedia. Alternava: dependia do grau de carência um do outro que era vigente no momento. E lá íamos nós. Com o pé atrás, até que tudo era cinema na quarta de novo. E sábado.

E a felicidade parceira acabava, já então, no exato momento em que um decidia não aceitar o outro. E enquadrava. 
E foi virando falta de ar. 
E foi desalinhando o traço da nossa imagem em comum. 
Eu tremia por nós. 
Ele se desassossegava por mim. 
Eu via manchas. 
Ele via borrão.

Não suportei a visão turva. Minha. Dele. 
Ele sofria também: a gente se maltratava tentando se bentratar. 
E extrapolei a moldura -segundo ele. 
E risquei, no quadro, a parte dele do desenho. Ele chorou. 
Eu murchei por dentro.

Pedi pra sair. 
Bati a porta atrás de mim. 
Ele ficou na janela. Incrédulo. Olhando a chuva desmoronar nossa parceria em lama. Inconformado.

Eu me chafurdei naquela lama como quem volta pro útero. 
Passei lama no rosto como quem procura curar a pele. Inconformada. Também. 
Não consegui salvar: a pele caiu. 
Nasceu outra. Fina, ainda. Muito mais vulnerável que protetora.

Uma tentativa de reaproximação frustrada. 
Mágoa. 
Tristeza. 
Saudade do que tinha de bom. 
Dor por tudo que não restou.

Falta. 
Sobrava falta no meu pote.

E assim foi o mergulho em mim: sofri minha própria sentença.

Era o 'nunca mais'. 
E eu partida em duas. Ou muitas.

Luto. Meses. Doença da Alma. 
Recomposição.

Já quase em pé, respirando sem aparelhos, decomposição: Doença do Corpo. 
Incurável. Dizem. 
Caí de novo. Julguei não suportar.

Dor. Muita. Medo. Solidão. 
Uma solidão sem rosto. 
Uma solidão sem nome. 
Quem tem uma doença que dizem terminal, tem ela em si como companhia. Apenas. Pouco importando quem ou quantos ao redor. 
As pessoas me olhavam com dó, como se enterrada eu já estivesse.

Era uma dor fálica. Bruta. 
Não há sutileza em ter de se superar. 
O Câncer é essa coisa que muta célula boa em podre. Numa autocontaminação sem fim.

A falta do 'abraço de costelas quebrantes'... Só eu sei o quanto precisei olhar naqueles 'olhos tlistes de tonilho' e dizer:

- Fodeo, Exceção.

Pelo histórico pessoal dele: era meu dever poupá-lo: proibi todos. Ninguém deveria contar a ele que eu não estava bem. Fosse quem fosse: eu não perdoaria.

Eu bati a porta atrás de mim, mas que ninguém, jamais, se metesse: só nós sabíamos o que éramos. 
Eu deveria poupá-lo. E fiz.

Tratamento. 
Alívio de esperança. 
Expectativa do tempo: só ele poderia me dizer curada de fato.

E tô! Ainda bem! :)

Mudança de rota. 
Mudança astral. 
Mudança física. 
Mudança psíquica. [Terapia, essa bênção.]
Mudança mesmo: de cidade!

Foram uns 16 anos de amadurecimento em só exatos 1 ano e 4 meses sem ele: a cada 30 dias, percebia uma ruga diferente na Alma: me levaram um pedaço. Eu me levei dum pedaço.

Pedaço que era num com + fiar da Vida na Minha [Nossa] História. 
Sempre foi confiança. A Vida veio e alinhavou a parceria. Sem perguntar muita coisa.

Um dia, no derradeiro meu aniversário antes da porta batida, me disse:

- Carolina: eu desejo que você se torne Mulher.

O Gênio da Lâmpada ouviu. Acho.

E só já Mulher é que foi quando fui na esgueira daquela porta batida atrás de mim.

- Oi. Lembra de mim? Eu sou aquela que te disse na garagem que era pra sempre. 
- Oi. Lembro. E não sei se quero lembrar. A História tem um ponto final. 
- Quero abrir outro parágrafo. 
- Perdi a caneta.

Restei em mim... Mas esqueci fresta aberta na porta. 
Tomou coragem. Abriu a porta e encostou a cabeça no batente. 
Olhou o corredor. 
E me viu sentada. De costas. Olhando o horizonte. 
Mediu a distância.

- There?

Reconheci a voz. 
Olhei pra trás e vi um sorriso.

Saí correndo. [Sem saber se ria ou chorava...]
Veio sem pensar. [Ele não pode pensar. Não pode dar tempo de pensar. Senão dá tela azul do Windows... Hahaha!]

Ainda arfando [a gente tá velho, né?], com medo de perder em se ganhar, tudo terminou num abraço de quebrar costelas, aquele que tanto precisei. E choro. E flores. Que não eram, mas nos serviram como Acácias.

Acácias e sua simbologia tão 'o quê somos nós'.

O que há pouco mais de um ano a gente intitulou 'refazenda', virou, no meu aniversário deste ano, um "e agora espero que pra sempre".

E, afinal de contas, esse contar do conto não tem fim. E nunca terá. É transcendente.

"Quem me dirá não o que desejo, nem o que sei, mas aquilo de que preciso? 
Sem botar nem tirar uma sílaba?
Quem saberá contar o enredo sem alterar o tom, o teor e o desfecho? 
Sem errar, nem mudar uma vírgula?".

Os olhares que nos cuidam jamais saberão recontar e remontar: o mundo procura obviedades. 
E nessa História não mora o óbvio.

Tudo que há de ser subjetivo é circunstancial.

"Viver é um descuido prosseguido", diria o lamento sertanejo.

E é. 
E segue sendo...

_______________________

... E assim sendo... >>> [Esse "e" eu colocaria minúsculo, mas como sei que não trabalha minúsculas depois de reticências, deixei a licença poética de lado... E...]

Como eu dizia...

... E assim sendo:

Que a gente saiba represar pra gerar energia. 
E que... As águas corram certeiras de sua importância. 

Hey! Benvindo aos 35!

Daí que me lembrei que a gente tinha um pacto, caso, aos 35, ainda não tivéssemos feito vítimas por aí e casado: procriaríamos, garantindo o projeto 'Continuidade Inteligente da Espécie'.

Mas vôdizzê: não precisaremos procriar. [Amém.]
[Crianças: não trabalhamos. (Ambos. Acho. Certezo, talvez.)]

Nós nos "re-parimos". 
Cada um em si. 
E nós (s)em nós.

Nosso trabalho tá feito: garantimos continuidade. A nossa.

Não sei. Só sei que foi assim.

E... Valendo!: de mim pra você, no já, neste aniversário: "nunca serão".

Não vou dizer que te desejo isso ou aquilo. É mentira.
Eu não desejo nada a você. Desejar é querer. Querer não é ser. 
Ser é fazer. E constituir.

A gente se faz. E refazer. E se constitui. Sempre que.

Eu torço por você como por mim.

Um dia, soube que disse por aí:

- Não se meta. A Carol é inegociável. A gente briga, a gente se entende. Não se meta: você perde. Todo mundo perde: nos resolvemos entre nós.

Não se meta, Mundo. 
Você perde.

Você. 
Perde. 
Mundo.

Nós, não. 
A gente se ganha. [Um "¡Olé!" ao Cassino que é a Vida. (Pode dizer que sou phodda linkando teu discurso. Sou mesmo.)]
A gente "se acha". [De buscar. E de 'modestar'. Um bejão, mundo! #smackmybitchup!]

Os detalhes que se somam.
Você é feito de 'circunstâncias' aqui. 
A gente se resgata. 
Na semelhança. 
E no espelho.

Sempre.

Mesmo que. 
Apesar de. 
Ainda se.

... Porque, às vezes, é preciso perder-se em Dois para encontrar-se em Um. E, de repente, no Um, resgatar-se em Dois.

Quem sou eu? 
A Frase -essa aí- rebento de costela. 
Quem é você? 
O Barro.

E dono das mãos mais lindas do Meu Mundo! :) 
Mãos que me fazem entender Adão.

O quê somos?

Um paradoxo. 
E "ok".

E aqui é ~também~ sem negociação.

Feliz Dia, Babe. 
Os 35 não marcam retorno de Saturno, mas de Plutão. 
E vida vivida! E vívida! :)

Taí, Peçoa: arrasei na simbologia dos Dois Planetas.

Que você possa consumir ~alquimicamente~ cada segundo do porvir.

Seja! O que achar que deve. 
Vá! Onde achar que deve se buscar.

Fique. Porque sempre haverá um café riqueza aqui, três sabores de gelato acolá e tantos "era uma vez".

Eu te amo. 
E não é pouco. 
Nem haveria de ser.


_____________
Daí que comecei a escrever isso a partir de um comentário teu numa postagem minha recente, onde me disse:

- ❤, mas você sabe!

Te contei, inclusive. 
E li um "só você pra preparar o presente dois meses antes".

Já li, reli, fiz, refiz, vi, revi este texto inúmeras vezes. 
Tanto quanto o que é essa Nossa História.

E quanto mais eu olho, mais percebo o quão imprescindível é esse tudo no todo do nosso tempo todo.

Quanto mais trabalho nele e viajo nos recortes, mais reforço o 'eu sei'. 
E mais nítido é o JRSN cravado na placa de bronze na numerada do Caronte.

Ouvi falar que pérola é inflamação de grão de areia que machuca a ostra. 

Carrego pessoas como conchas: minha maneira delicada de carregar tudo, todos, tempo todo.

Contigo é um pouco diferente: levo a ostra toda em Relicário.

Respeito o tempo de retardo na abertura da concha-cofre. 
Não costumo me incomodar muito com os 15" de espera até que a porta de chumbo apite pra ser aberta.

Eu, que não respeito quem não tem cicatrizes, sou um tanto mais feliz quando acho parceria na pérola. [Batismo por Modéstia, a Deusa Grega, essa coisa.]

E isso ~A Parceria~, por si só, já vale a espera. [Estamos em crise econômica. Issaê é Varejo. E Varejo Emocional de primeira linha. O sistema capitalista é rústico: vai sair cara esta frase. No teu lugar, eu deslia.]

Não me importo muito justamente porque, em algum ponto dos já 10 anos, descobri que pra compreensão de alguns (d)efeitos especi(colater)ais do Fantástico Mundo de Bob...

... Só eu sei a sequência dos discos de segurança do segredo manual do cofre: um único milímetro em falso e... Mais meia hora de retardado pra programar os próximos 15" de espera.

O Mundo, todos os dias, nos oferta muita coisa nesta Vida. 
A gente 'compra' conforme necessidade.

A gente tem sempre um alguém pra cada coisa.

Só que quando se é um 'bom menino' ~kkk!~, pode ser que role da Vida premiar com um Combo. 
Tipo Box Compre 1, Leve 4: puuuuuura raridade mercadológica.

Oi. 
Ha. 
Quédizzê. 
Carolina pra todo mundo: num vai táteno. Ocupada valeno pouco, mas por 4.

"Available. Or not."

Shooooooooopa, Cruel World! Hahahaha! :D



Death by chocolate is myth. 
This I know because I lived.

Nunca esqueci. 
E sou quase [nenfodeno] obediente. Hahahaha! 
Sempre sei pra onde voltar.

Que sempre seja época de cheia.
Que as comportas sempre se abram.  

E que, por vezes, sejam violentas: o espetáculo é lindo. Sobretudo, pra quem tem olhos de sentir. 

Que elas sejam imponentes sempre que transbordar. 
Ainda que assuste. 

:)  


E sempre é oportuno repetir: eu sei viver sem você por perto, só que não vou.

Se tua previsão mora no "pra sempre": eu garanto o predicativo.


Tnx a lot 4... Everything, Exception Box.

[Pra você, sempre maiúsculas no pós reticências e...

... Ponto-Parágrafo.]



Carinhosamnt,

CaroLayla
Designer de Projeto Abstrato,
Divisão de Recursos Setoriais - Eixo CWB X SAO, 
Núcleo Dois Planetas,
Meu Mundo S/A.

❤!


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Não existe Felicidade pra quem tem Coração.








Vá até os 7"28'.
Ouça até 7"40'.

E entenda, nesses 12', o meu Todo.

E ÚNICO Objetivo de Vida.

Saber que a resposta muda a cada amanhecer é tarefa de Corajoso.

O sufixo -OSO aponta "qualidade de".

Bondoso tem a qualidade da Bondade.
Amoroso tem a qualidade do Amor.
Afetuoso tem a qualidade do Afeto.

O Corajoso tem a qualidade da Coragem.

Coragem é qualidade de quem age com o Coração.
Onde tudo começa: a Bomba de Sangue.
Pulsão de Vida pura.

Sempre que amanhece, há a pergunta.
E as inúmeras possibilidades de resposta.
A cada resposta, um caminho.
A cada caminho, uma busca.
A cada busca, um empenho.

Empenho. Esforço. Trabalho.

E todo esse compromisso não é reconfortante, não traz satisfação.
Pelo contrário: desgasta, não faz feliz.

Felicidade é a busca do Parvo.
Realidade é a busca do Comprometido.

Só há um caminho pra tornar-se um Indivíduo: comprometer-se consigo.

O Indivíduo Realista é aquele que acorda todos os dias segurando o próprio Coração nas mãos, assistindo, de fora, o próprio Sangue caminhar.

O Indivíduo Corajoso será aquele que fará alguma coisa a respeito. Independentemente do caminho a ser percorrido pelo Sangue.

Apesar de.
Mesmo que.
Ainda se.

Não há leveza nesse movimento rápido.
Seria quase imperceptível o Tempo.

Não fossem esses 12' o justo recorte capaz de ocupar o espaço da Cegueira.

O Cego, embora deficiente, não tem dimensão do que, exatamente, significa ser cego: ele não vê. E tudo o mais que há no mundo, além da visão que ele não tem, é suficiente pra que ele seja.

Quem vê, não ignora.

Não ignorar é se importar.

Portar-se diante de Algo.

A partir do momento em que há consciência de um Algo: acabou a Ilusão.

Fim da Ilusão: morte do conceito ocidental de Felicidade.

Assim simples.
Sem Deboísmo.
Sem Jogo do Contente.

Sem grandes folias no tabuleiro: é Xeque.

Até que, um dia, culmine no Mate.



domingo, 12 de julho de 2015

Discurso onírico.

— Te amo. 
— Também amo.
— Você sabe que... 
— Sei...
— Pena que duvida. 
— Não duvido. Tô falando que sei.
— Cá... 
— Oi.
— Cá: você é maravilhosa. 
— Eu te gosto um monte também.
— Mas não ama mais... 
— Amo. Mas não é só Amor. Tem um mundo de outros meus sentimentos envolvidos.
— Por exemplo? 
— Admiração, o gostar propriamente dito, carinho. Zêlo. São sutis diferenças. E sou como você: plural. 
— Quero você. 
— Defina 'quero você'.
— Você sente. 
— Sinto, mas não sei definir coisas.
— Como assim?
— Não sei definir coisas. Meu papel ao certo na tua vida, tua perspectiva comigo. O que será daqui pra frente. Teu ciúme. Teu ciúme: o que fazer dele? Como será de fato? Não sei. Não tô prevendo também, mas não sei como será.
— O que significamos nesse dia? O que sentiu?
— Tem coisas não mutáveis nessa parada.

Ancorar, não. 
Aportar, talvez. 

E seguir.



quinta-feira, 18 de junho de 2015

Lobo Bom, o platonicamente aristotélico.

Pra Platão, o Amor Legítimo, aquele puro, deveria ser pautado em Virtude.
"Entendedores" lançaram na roda a ideia de que, sendo assim, o Amor Platônico seria, então, alguma coisa desprovida de desejo. E, tantas vezes, não correspondido.

Sabe nada, Inocente!
Tá morrendo de fome: vá dar aquela saboreada nO Banquete, onde ele trata da pulsão carnal como sendo algo muito natural.

Se souber somar: 1 + 1 = 2. Onde 1' é Amor de Virtude, 1" é desejo sendo inerente à condição humana e 2 é a soma desses fatores.

E, apesar de defender a ideia de que as paixões cegam, dizia também que todo homem apaixonado é poeta.

Aristóteles, cria da Escola Platônica, somou, dizendo que a lei é a razão desprovida de paixão. E que o gatilho de tudo é a paixão.

Trocando em miúdos: daqui do meu foco mirado, dum ângulo de 30°: "é preciso Amor pra poder pulsar".

Ha. Quédizzê.

Mais tarde -de um tanto mais tarde-, inventaram um troço chamado Canção. Que por sua vez, foi dividida em alguns subgrupos, dois deles sendo de Amor e de Amigo.

Basicamente, a Canção de Amor tratava dum Amor Legítimo do Trovador por uma "prenda", cheio de dedos e nuances.
Em contrapartida, a Canção de Amigo era meio Chico Buarque: o cabra assumia um "eu lírico" feminino, numa sofrênça do Amor distante. Acontecia também de alguns textos serem das próprias "prendas" Trovadoras, mas o patriarcado medieval sequer admitiria que mulheres pensassem... compor, então: fora de cogitação e da História oficial da Literatura.

Trovar seria, então, um duelo bom entre satisfação e fracasso. Entre coragem de ser e o medo do não ser.
Entre vida e morte.
Eros e Thanatos em palavras? Talvez?

A real é que, se leis são desprovidas de paixão... não cabe regra no Amor Legítimo: ele é composto das paixões.

Sair da toca talvez seja só uma questão de se questionar sobre quem ganha a luta interna diária nas pessoas: o Lobo Bom ou o Ruim? O que possibilita ou o que limita viver?

Questionários auspiciosos que nos pegam no pulo, essa coisa que pode paralisar.
Rimas fáceis, essa coisa de pulsão de vida.
Canção, essa coisa que evidencia o que a anamnese (do grego "ana": trazer de novo; e "mnesis": memória) psicológica não é capaz de.



Aposto e ganho: a melhor Guerreira Medieval era também a melhor Trovadora.
E as circunstâncias não permitiram que ela fosse constar dos autos do processo histórico.
Aposto também que era perguntadeira.
E apaixonadamente aristotélica.
Amorosamente platônica.
E virtuosamente ela.

E certeza: se chamava Anna.
Que era pra nunca deixar lembranças morrerem.

E sim: com dois Ns.
Que era pra não esquecer de lembrar por dois.

Direto da História que a Literatura nunca contou.

Ou não.







Dia desses me relembraram da parábola dos Lobos.

É essa aqui, ó: http://www.contarhistorias.com.br/2011/04/historia-dois-lobos-dentro-de-mim.html




quinta-feira, 11 de junho de 2015

O Renato

-e mais gente- disse que o sol da manhã é cinza, de tempestade cor de olho castanho.

E ele estava certo.

A manhã humana não é colorida: ela vem nublada, desforme... é assim com todo recém nascido.
À medida que a capacidade motora vai amadurecendo, e que ele consegue fixar o olhar, é que vai começando a perceber coisas além de vultos. Passa, então, a perceber formas.

E cores.

Capacidade motora.
Fixar olhar.
Ver além de vultos.
Perceber formas.

E cores.

Focando a visão, ainda imatura e meio débil, nos movimentos.

Focando.
Nos movimentos.

Isso me leva a crer, então, que sem movimento e necessidade de fixar num ponto pra ver além daquela massa disforme embaçada... talvez todos fôssemos cegos -ou, ao menos, víssemos tudo como uma enorme bolha nublada-: sem treino, sem desenvolvimento.

De qualquer modo, a sobrevivência depende da delimitação espacial: desde os primórdios a gente sabe que é preciso querer ver pra ter noção de onde e pra onde.

É o início de tudo, o início de todo o Nosso Mundo: o primeiro sopro.
E depois o choro.
E na sequência: a tentativa de ver.
E de reconhecer.

Esforço puro, me parece.

E dali em diante, todos os dias serão iguais: tentativa de ver. E reconhecer.
Entre risos de descoberta, choro de dor, sopros, respiros e suspiros.

Todos os dias a gente acorda não tendo mais o tempo que passou... mas... tendo muito tempo. Ainda.
Todos os dias, antes de dormir, lembra e esquece como foi o dia... pra não travar.

Sem movimento, a visão é sempre de um mesmo ângulo... e o bebê, corajoso e esperto, logo percebe que além da grade do berço existe mais coisa.

O quê? Sabe-se lá...

... mas ele vai: não há tempo a perder. É preciso enxergar além dali.

E depois da grade do berço, o tombo.
E no tombo, os primeiros passos.
E nos passos, o andar meio bêbado.
E depois, tropeços.
E arranhões.
E feridas.
E sangue.

Mas ele segue e nem liga: o suor da tentativa é sagrado. Bem mais belo que o amargo do sangue.

E assim, conquista-se caminho.
No movimento.

Não importa muito pra onde: nunca será de dentro do berço mais. E mesmo que queira voltar: já não cabe ali.
Não importa muito como: a trajetória é sempre mais competente pra ensinar a trilhar do que o alcance dos objetos.
Não importa se será necessário retroceder porque esqueceu a blusa e foi: o importante é ir.

Mesmo sabendo do sol cinza.
E da tempestade.

Pode ser que no caminho haja guarda-chuva.
Pode ser que no caminho exista uma mão pra levantar do tombo.
Pode ser que no caminho alguém dê um óculos quando faltar foco.
Pode ser que no caminho... tanta coisa aconteça...

... até que se aprenda, então, a olhar.

Pra frente. Pra fora. Pras pessoas. Pra dentro de si e reconhecer.

Se reconhecer.

De dentro dos olhos castanhos de cor tempestade. E amêndoa.
E também.

Que vêem no escuro. E luz e cor.
E também.


segunda-feira, 9 de março de 2015

O perdão e a culpa.




Isto -o quadro- é um Vladimir Kush.
Dos meus preferidos.
E a letra desta música, especificamente, me diz ao que vem desde que ouvi pela primeira vez.
Alguém, na infinita capacidade associativa humana, juntou as duas coisas numa só. Brilhantemente, aliás.

Essa imagem automaticamente me remete a uma frase do Hesse de que gosto muito:

A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer, precisa destruir um mundo.



Um Mundo.

O futuro do ovo não é muito variável: ou vira ave ou choca.
A condição humana também não é muito diferente disso: ou o homem se liberta ou simplesmente não vive.
A diferença humana tá na consciência de que há um mundo lá fora.

Nossa alma é selvagem.
Nela moram nossos instintos primitivos.
Ela busca ser plena, sem refreios.
A alma é aquilo de mais puro que há de nós em nós mesmos.
A alma não cabe no ovo.

Enquanto se está no ovo, enquanto se está dentro da caverna, observando pela fresta, existe a proteção, mas existe também um bloqueio. Real. Físico. A casca. O muro da Caverna. E em algum momento é preciso romper com isso e ir.
É preciso querer sair do ovo... ainda que tirar as cascas da pele doa.
É preciso seguir em frente... mesmo com medo de cair.
Do contrário: a alma, essa coisa selvagem, choca.

E a partir do momento em que se rompe com o Mito da Caverna -a ignorância- e se tem a consciência de que ir é preciso e ainda assim, teima-se em manter tudo como está e esteve, nasce a culpa.

A Culpa.

A culpa é essa coisa que te assombra como quem aponta a tua capacidade potencial e aquilo que você faz dela. [Ou não faz.]
A culpa é essa coisa que te denuncia quando você sabe que seria capaz de ser melhor e não foi.

O conceito de culpa caminha junto dos conceitos de 'algoz' e 'vítima'. 
Pessoas que se vitimizam, passam uma vida procurando culpados. 
Algozes conscientes se culpam por criarem vítimas mundo afora.

Quando calha da tua tomada de consciência te mostrar que você é seu próprio algoz e que transforma a si mesmo em vítima é que a coisa fica séria: um lado teu te culpa, enquanto o outro berra por socorro.
E nessa hora é que, você, sua própria vítima, sente peninha de si mesmo, se perdoando por... não romper com as amarras e seguir.

Culpa, essa coisa que serve como freio.

Freio este que, quando é social, tem bastante serventia, do contrário, mataríamos por bala de goma, ou roubaríamos pra ter aquilo de que se precisa sem grandes dramas. A culpa, neste caso, é o filtro de até onde se pode ir. No coletivo.

Em contrapartida, quando o freio da culpa é pessoal... vira o autoboicote preferido de quem teima em não sair do ovo e crescer, filtrando, inclusive, até aonde ir. 
E é nessa hora que o processo de se munir de coragem e seguir é quebrado, como se merecedores não fôssemos de seguir adiante: quando uma barreira realmente se coloca entre a gente e aquilo que seria a vida, a covardia se achega, dizendo que aquela barreria ali pode não ser ultrapassada.

E aí vem o medo. E a paralisia.

E paradoxalmente, a culpa tem uma só serventia: impulsionar pra mudança.
Do contrário, é melhor fingir demência e voltar a dormir. Lembrando que dormir, por definição, é repouso e que repousar não é viver, apesar de fazer parte do processo.

Mas, ok: FAZ PARTE do processo, mas não É o processo.
Assim como o ovo ainda não é ave.
É preciso deixar de dormir para se transformar em ave.

Sendo assim, a cada vez que você se perdoa por temer/dormir/não ir, você se conforma com a tua condição. Tanto de algoz, quanto de vítima de si mesmo.

Você vira Vítima da Culpa por ter se dado o Perdão.

"O perdão é o que possibilita o nascimento da culpa".

O perdão pode ser nobre em determinada circunstância, mas... por definição, perdoar é se conformar. 
Quem não se conforma com determinada coisa, não perdoa.

Eu costumo não perdoar. Não perdoo por convicção. Perdoar significa passar por cima e esquecer. Conformar-se.

Perdoar não é o caminho leal. Não acho leal perdoar pessoas.
Lealdade a si e ao mundo é seguir em frente apesar de.
Você faz, você arca. E segue. Porque vale a pena seguir, mesmo que.

Seguir sabendo que toda ida pode possibilitar uma volta.
É preciso mandar embora a culpa -sempre tão pesada- pra que se possa ser impulsionado pela coragem de ir.
É preciso saber que 'tudo se compõe e se decompõe' pra que se possa ir sem medo. E culpa por errar.
É preciso saber que a 'velocidade que emociona é a mesma que mata' e que a vida não te espera ter coragem.
É preciso saber que é possível lidar com o fato de que o 'sorriso antigo vire lágrima barata'. E que o processo de crescimento mora nesse movimento.

Todos os caminhos são passíveis de retorno, menos o 'ignorar'.
Quando uma mente se expande, nunca mais ela retornará ao estado original, disse o cara da Teoria da Relatividade.

Caminhos de ida e volta são relativos. Só não é possível parar. Quando se quer viver, obviamente.
'O automóvel tem de seguir, em algum momento, cego pela estrada iluminada de sol'.
Porque só conhecendo o sol é que se pode lidar com a sombra.

As existências são medidas nas ausências. E vice versa.
Viver é alguma coisa no meio dessa movimentação toda.

Viver é sair da ausência de vida. 
Viver é voar. 
Voar é arrebentar com tudo, é arrancar casca e pele, se preciso for.
Voar é libertar a alma.
Que pretende ser plena.
E o caminho da plenitude tá na permissão dada a esta alma para que viva experiências.
Só as experiências nos fazem vivos. 

É preciso viver pra se estar vivo.
É preciso romper.
É preciso doer.

É preciso não se perdoar e nem se culpar, mas seguir.









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O quadro do Kush se chama "Sunrise by the Ocean", acrílico sobre tela, de 1965.
A letra e música são do Paulinho Moska, O Phodda.
A frase do Hermann Hesse tá no seu "Demian".
O Mito da Caverna é a famosona teoria do Platão.
E o conceito de que uma mente quando se abre, jamais volta ao seu estado original é do Einstein, esse ilustre desconhecido.






domingo, 22 de fevereiro de 2015

O Sucesso não sai correndo.

Bem suceder-se. Definição sem forma fechada.

Eu falava sobre isso com a minha Mãe hoje.
E me deparei há minutos com esse selo aê.

E me ocorreu dizer que não vem sendo muito fácil administrar, no mundo moderno, as próprias expectativas sobre si.
Não vem sendo muito fácil de maneira geral, sem sexismo.

Eu me sinto cobrada.
O tempo inteiro.

Por mais que os anos de terapia me façam dispersar dessa espécie de mutilação coletiva difusa, lá no fundo, bem quase escondida, fica aquela sensação de que falta buscar alguma coisa.

O quê?

Ninguém sabe.
Nunca vi, nem comi: eu só ouço falar.

Eu não falo de buscar nada além dos limites daquilo que sou eu, ou seja, em alguém, mas falo sim da maneira como nos vemos no que tangencia aquilo que requer nosso esforço.

As conquistas sociais, digamos assim. Não só o lado prático capitalista selvagem, mas nosso comprometimento com aquilo a que a gente se propõe e o quanto andar fora desta linha, nem que seja por minutos, horas, dias, me traz aquela péssima sensação de que deixei parte do que deveria fazer pra trás.

E de repente, me vi hoje mexendo em fotos, recordações, besteiras lidas por aí afora, nesse mundão que é a Internet, rindo um monte de tudo o que via e ouvia, mas... com a cabeça num raciocínio frenético de que tava aqui perdendo um tempo danado.

Roupas pra lavar, livros pra ler, casa pra arrumar, coisas pra estudar, material de artesanato me esperando, documentos a serem procurados, mala com roupa de 'evento' tendo de estar pronta até sexta, há que viajo de novo depois de ter voltado de um Carnaval há 4 dias. Ou seja: em 10 dias, idas e vindas. E não estou em férias.

E o fantasma chamado 'você não fez' subido no meu ombro. Feito uma matraca, fazendo um barulho danado, me lembrando de que... eu não posso viver. Não posso porque preciso viver.

Oi?

Eu não posso ficar fazendo 'nada' agora, porque preciso preparar terreno seguro pra não fazer 'nada' amanhã.

Oi?

Quer dizer: num mesmo dia, eu olhava o passado com carinho, num presente sossegado, me cobrando de maneira frenética por um futuro.

Oi?

É. É isso mesmo: num mesmo dia, vivi tudo com a sensação de não ter vivido nada.
E por quê?
Porque a gente passa uma vida se dando afazeres, sem pensar que o 'se bastar' de cada um é singular.
Não adianta eu aplicar na minha própria vida um molde que não é meu.
Ok. Na teoria é lindo, mas...

... e o fantasma no ombro que berra?

Porque... a bem da verdade, aos 34⅔: não vivi pouca coisa.

Morei, ao longo da vida, em cinco cidades diferentes. Até aqui.
Fiz nove mudanças de casa. Até aqui.
Trabalhei em seis lugares diferentes. Até aqui.
Fiz uma universidade pública que me confere quatro diplomas.
Todo o meu FGTS foi parar na entrada de um imóvel. Aos 21 anos.
Pretendo trocar de carro nos próximos seis meses. Aprendi a dirigir só aos 28.
Falo enferrujadamente fluente uma segunda língua e arrastro em outras três.
Tô a um passo de acabar um MBA com bolsa de estudos do conglomerado pro qual trabalho.
Tenho convênio e previdência privada.
Moro sozinha, dando conta de tudo o quê é preciso pra que alguém se garanta vivo com decência.
Já casei. Já me divorciei. Já vivi outras histórias.
Conheci Paris, Florença e Salvador: lugares que sempre quis conhecer. Desde os 17.
Fora todas as outras cidades e caminhos que vi, ouvi, comi, bebi, li e vivi.
Fiz amigos que deixei pela estrada. Com carinho, a grande maioria.
Fiz Amigos pra uma vida inteira.
Fiz Amigos Família.

E falando em Família: também trago eles comigo: me compõem.

E tudo isso, levando-se em consideração algumas bifurcações ao longo do trajeto, que algumas vezes me fizeram ter de voltar, outras me trouxeram atalhos, mas... não foi propriamente uma reta só. Minha história não percorreu uma estrada chapada: teve muito relevo pra chegar até aqui.

Mas o barato é louco...

Na última madrugada fui dormir às 5h da manhã, procurando uma provável linha de pesquisa de um pretenso mestrado ainda não decidido aqui dentro.
Tenho analisado meu currículo funcional, fazendo cursos específicos que me levem a pontuá-lo de maneira objetiva, com vistas numa possível ascensão profissional.
E dessa pontuação também depende a tentativa de bolsa pro inglês que quero fazer.
E o mestrado tá diretamente vinculado ao prazo de término da bolsa atual: a ideia é seguir os próximos passos que me são passíveis de patrocínio ali mesmo.

E tudo isso dependerá... DO MEU ESFORÇO PESSOAL.
O meu esforço pra chegar lá.

Quédizzê: acabei de achar a casa do fantasma.

Maravilha! Agora... O que é esse 'preparar terreno'? O que é o tal do 'chegar lá'?
Ou seja: se a 'expectativa', de certo modo, é me proporcionar uma 'base' pra 'um dia quem sabe': já to no caminho.
E sendo assim: eu posso sim ter mais tantas outras experiências na vida, mas... NÃO PRECISO me cobrar por elas.
Ninguém aqui tá dizendo que 'minha vida acabou e já tenho tudo de que preciso'.
Não.
Eu to dizendo que, num raciocínio um pouco mais lógico e um tanto menos tirano: esse fantasma precisa descer do ombro e ser exorcizado. Porque ele não me ajuda em nada, além de meter o tridente na minha bunda, me chamando quase que de 'incompetente'.

Qual é Carolina? Porque que tu me tô nessa?

Nexo zero. Ze-ro.

Dissesse que tenho urgência de mais tantas outras coisas... até me entenderia, mas... não tenho.
Tranquilo demorar um tempo pra trocar de carro.
Tranquilo conhecer outros lugares ao longo da vida.
Tranquilo programar coisas a longo prazo.
Tranquilo.

Demorando pra entender que Ansiedade, A Maldita, não ajuda em nada.
E que Culpa, A Tirana, não cabe numa vida com engrenagens funcionando.
E que Recompensa, O Objetivo, já tem cota por aqui.

Não é preciso correr atrás de nada: basta ir.
Os objetivos são estáticos.

Já plantei a árvore.
Já escrevi -da maneira mais inesperada- o livro.
E só não fiz o tal filho porque ainda não tenho certeza se quero.

E se quer saber, Carolina: só de me te contar tudo isso, cansei.
E cansei tanto, que vou ali tomar banho pra dormir.
E continuar não fazendo 'nada' por mais algum tempo.

Desacelerar pode ser a chave do Sucesso.

Só por hoje.