Essa é pra você.
Pra você que me lê.
Pra você que lê minhas entrelinhas.
Pra você que leu minhas entranhas.
Pra você que esteve nos melhores momentos.
Pra você que esteve nos piores momentos.
Pra você que nunca esteve, mas já cagou muita regra de merda.
Pra você que quis ter estado e não pôde porque eu não deixei.
Pra você que jamais estaria.
Pra você que me quis e não teve.
Pra você que levou de mão beijada.
Pra você que veio e foi e se arrependeu.
Pra você que veio e eu não quis.
Pra você que quis e eu não fui.
Pra você que eu carrego na alma.
Pra você que eu carregarei pela vida.
Pra você que é próximo a mim.
Pra você que eu nunca vi.
Pra você que nunca fez falta.
Pra você que sempre foi amigo.
Pra você que nunca soube ser.
Pra você que se importa.
Pra você que não tá nem aí.
Pra você que eu nunca deixei ir.
Pra você que eu não faço questão que fique.
Pra você que é o que ninguém foi.
Pra você que foi o que ninguém será.
Pra você que não deixou marca.
Pra você que é eterna marca de agulha na pele.
Pra você que simplesmente é.
Esta vai pra você só pra dizer que nem sempre será pra você.
Assim.
Tão bem simples.
The sun goes down.
He takes the day, but I'm grown and in your way, in this blue shade, my tears dry on their own.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
sábado, 7 de abril de 2018
A Separação.
Era 07 de abril de 1999.
Ali, há 19 anos, começou uma História rica em detalhes. -que é aonde tudo mora mesmo: Viver é uma colcha de detalhes.
A gente deu um chute a gol: quando viu, era casamento.
Quando viu, era a casa alugada.
Quando viu, era a chave do primeiro imóvel.
Quando viu, era olhar e saber o que o outro tava pensando.
Quando viu, eram inúmeras viagens terrenas e astrais.
E que, somadas, compõem a Nossa História.
E nem bem viu, era desencontro.
E nem bem viu, era dor.
E nem bem viu, era já outra língua.
E nem bem viu, era sexo no piloto automático.
E... nem bem viu, já não era mais.
Não foi culpa de ninguém. Não há culpa no desenlace.
Não foi premeditado. Não dá pra prever a Vida.
As pessoas permanecem em sintonia enquanto for encaixe.
Quando deixa de ser, cada um segue seu rumo.
Seja dentro ou fora da relação: cada um segue seu rumo.
Ainda que de corpo presente: cada um segue -dentro de si- seu rumo.
Ele queria viver [outra coisa]. E não havia erro nenhum nisso.
Eu queria viver [aquela vida] de outra forma. E não havia erro nenhum nisso.
Não havia culpa no porvir.
Não dava pra gente se culpar por expectativas diferentes.
Não deveria ser eterno aquilo que já não tinha.
- Até quando essa vida de 20 anos de casado? –eu disse.
- Eu acho que você sempre teve razão. –respondeu.
E assim começou a saga de dez meses e meio e dois quilos de dor a cada osso quebrado e mexido.
Eu urrava de dor emocional enquanto ele ruía por dentro.
Eu chorava dia e noite, ele sofria dia e noite, pela certeza de que deveria acabar.
Eu não dormia. Ele rolava pela cama.
Eu o acordava à noite pra fazer DR. Ele parecia um zumbi.
Eu o culpava. Ele se culpava.
Eu me culpava. Ele me culpava.
Eu olhava praquilo que a gente havia se tornado e sentia dó. Ele, pena.
Eu achava que era possível reverter. [E eu tentei, Meodeos, como eu tentei]... Ele também.
Eu não quis vê-lo nunca mais. Ele sentiu desamor.
Eu quis que ele nunca mais fosse feliz. Ele torcia pra que eu fosse o quanto antes.
Eu quis comer o mundo. [E eu comi o mundo]. Ele parou de comer.
Eu quis voltar no tempo e nunca tê-lo conhecido. Ele me fez o favor, fingindo nunca ter me conhecido.
Eu quis propor uma vida de fachada enquanto ele temia que eu nunca mais deixasse ele partir.
Eu quis que tudo fosse pro inferno, ele temia abrir a porta do céu pra voar.
Eu pensei que era meu fim. Ele temeu pelo recomeço.
Eu achei que nunca mais eu iria me recuperar. Ele achou que nunca mais fosse se recuperar.
Eu tive medo. Ele teve pânico.
Na minha cabeça era pra sempre.
Na cabeça dele também.
Foram nove anos e meio ao lado daquele homem.
E são já dez anos sem aquele homem. –daquela maneira, é claro.
Eu olho pra trás e... Nossa!
Parece uma eternidade.
Uma eternidade e umas sete vidas de lá pra cá.
Para ambos.
Hoje, olho para ele e não o reconheço.
E ainda bem!
[Se bem que... mentira. Eu já o reconheço. Nos -nem tão- novos moldes. E morro de orgulho do que ele se tornou.]
Quando a gente se encontra, é como voltar pra varanda da casa da minha Avó, em que a gente ria de tudo, aos 18 anos, ainda Amigos.
E como a gente foi feliz!
E como a gente não foi...
E como é necessário aceitar finais. E começos.
E como é preciso saber quando parar. E não descarrilar.
E como é tudo muito mais objetivo que dramático e a gente sequer se dá conta.
E como eu sou mais madura depois daquilo.
E como ele é bom caráter num mundo de gente média.
Ainda bem que ele teve coragem.
- Eu preciso viver.
Ainda bem que eu resisti.
- Eu vim pra tua vida, era esse monte de fita de videocassete. Eu vou, e essas tralhas ainda aí. É por isso que tá acabando: eu não suportei. –risadas em meio às lágrimas e aquele mundo de caixas na sala do apartamento.
Era um turbilhão de sentimento.
Era muita intensidade.
Era muito tudo junto: a gente terminou de se criar.
Sabe lá o que é isso?
A gente se pariu na frente um do outro.
Ele me ajudou a sobreviver.
Eu o ajudei a renascer.
A gente se amava muito, ainda.
Ele se culpou.
- Eu sou a cereja no seu bolo de bosta.
Eu abracei.
- Fica tranquilo: a gente casou junto e a gente vai se separar junto.
E assim foi. Contrariando nossas terapeutas [que achavam que a gente deveria romper feito faca amolada], a gente abriu o laço em parceria: ele puxou, meio roto, o lado dele da fita; eu arrastei, toda puída, a minha metade da fita.
Risos, choros, ódios eternos, respeito inabalável, amor [quase] incondicional, parceria pra vida, admiração, tapas, gritos, apelos, atropelos... Vida.
Vida.
Assim foi.
A gente rompeu aquele ovo que a gente tinha criado e que... Meodeos: como doía arrancar aquela placenta do nosso entorno.
“A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer, precisa destruir um mundo.”
Não sobrou nada além de escombros. Além das cascas.
E deles, a gente construiu o que somos hoje. A gente se retroalimentou.
Eu agradeço à Vida por tudo o que fomos.
E o que deixamos de ser.
Só assim nos tornamos o que somos hoje.
A gente terminou de se criar.
Sabe lá o que é isso?
A gente se ama muito, eterno.
Vou dizer que a gente foi bastante competente: nossa obra é fantástica: somos phodda! Hahaha! =)
Se tem coisa que ele não lida na vida é com desgaste.
- To passando. Não quero relacionamento, não, Meu: dão muito trabalho. To cansado de gente louca. Vai ver o problema sou eu.
- Olha Cara: você é chato, mas não é difícil conviver contigo, não. Não acho isso não. Deixa quieto e segue o baile.
Se tem uma coisa que eu preciso na vida é da aprovação dele.
- Poha, Cara: qual é o meu problema? Eu meto tanto medo assim, Meo?
- Cê tem um gênio terrível, mas é um mulherão da poha.
Como se fosse hoje, me lembro: num dado momento, eu olhei praquele lado da cama, praquele homem e pensei que não mais o conhecia.
Dormi, vencida pelo choro.
Quando acordei, havia um espelho e, nele, a minha imagem.
Eu tinha duas alternativas.
Uma delas, era culpar a vida que o esperava além de mim.
A outra?
Bem...
... eu escolhi me olhar quando ele escolheu seguir.
_______________________________________
Em tempo: obrigada, Mozzi.
Ali, há 19 anos, começou uma História rica em detalhes. -que é aonde tudo mora mesmo: Viver é uma colcha de detalhes.
A gente deu um chute a gol: quando viu, era casamento.
Quando viu, era a casa alugada.
Quando viu, era a chave do primeiro imóvel.
Quando viu, era olhar e saber o que o outro tava pensando.
Quando viu, eram inúmeras viagens terrenas e astrais.
E que, somadas, compõem a Nossa História.
E nem bem viu, era desencontro.
E nem bem viu, era dor.
E nem bem viu, era já outra língua.
E nem bem viu, era sexo no piloto automático.
E... nem bem viu, já não era mais.
Não foi culpa de ninguém. Não há culpa no desenlace.
Não foi premeditado. Não dá pra prever a Vida.
As pessoas permanecem em sintonia enquanto for encaixe.
Quando deixa de ser, cada um segue seu rumo.
Seja dentro ou fora da relação: cada um segue seu rumo.
Ainda que de corpo presente: cada um segue -dentro de si- seu rumo.
Ele queria viver [outra coisa]. E não havia erro nenhum nisso.
Eu queria viver [aquela vida] de outra forma. E não havia erro nenhum nisso.
Não havia culpa no porvir.
Não dava pra gente se culpar por expectativas diferentes.
Não deveria ser eterno aquilo que já não tinha.
- Até quando essa vida de 20 anos de casado? –eu disse.
- Eu acho que você sempre teve razão. –respondeu.
E assim começou a saga de dez meses e meio e dois quilos de dor a cada osso quebrado e mexido.
Eu urrava de dor emocional enquanto ele ruía por dentro.
Eu chorava dia e noite, ele sofria dia e noite, pela certeza de que deveria acabar.
Eu não dormia. Ele rolava pela cama.
Eu o acordava à noite pra fazer DR. Ele parecia um zumbi.
Eu o culpava. Ele se culpava.
Eu me culpava. Ele me culpava.
Eu olhava praquilo que a gente havia se tornado e sentia dó. Ele, pena.
Eu achava que era possível reverter. [E eu tentei, Meodeos, como eu tentei]... Ele também.
Eu não quis vê-lo nunca mais. Ele sentiu desamor.
Eu quis que ele nunca mais fosse feliz. Ele torcia pra que eu fosse o quanto antes.
Eu quis comer o mundo. [E eu comi o mundo]. Ele parou de comer.
Eu quis voltar no tempo e nunca tê-lo conhecido. Ele me fez o favor, fingindo nunca ter me conhecido.
Eu quis propor uma vida de fachada enquanto ele temia que eu nunca mais deixasse ele partir.
Eu quis que tudo fosse pro inferno, ele temia abrir a porta do céu pra voar.
Eu pensei que era meu fim. Ele temeu pelo recomeço.
Eu achei que nunca mais eu iria me recuperar. Ele achou que nunca mais fosse se recuperar.
Eu tive medo. Ele teve pânico.
Na minha cabeça era pra sempre.
Na cabeça dele também.
Foram nove anos e meio ao lado daquele homem.
E são já dez anos sem aquele homem. –daquela maneira, é claro.
Eu olho pra trás e... Nossa!
Parece uma eternidade.
Uma eternidade e umas sete vidas de lá pra cá.
Para ambos.
Hoje, olho para ele e não o reconheço.
E ainda bem!
[Se bem que... mentira. Eu já o reconheço. Nos -nem tão- novos moldes. E morro de orgulho do que ele se tornou.]
Quando a gente se encontra, é como voltar pra varanda da casa da minha Avó, em que a gente ria de tudo, aos 18 anos, ainda Amigos.
E como a gente foi feliz!
E como a gente não foi...
E como é necessário aceitar finais. E começos.
E como é preciso saber quando parar. E não descarrilar.
E como é tudo muito mais objetivo que dramático e a gente sequer se dá conta.
E como eu sou mais madura depois daquilo.
E como ele é bom caráter num mundo de gente média.
Ainda bem que ele teve coragem.
- Eu preciso viver.
Ainda bem que eu resisti.
- Eu vim pra tua vida, era esse monte de fita de videocassete. Eu vou, e essas tralhas ainda aí. É por isso que tá acabando: eu não suportei. –risadas em meio às lágrimas e aquele mundo de caixas na sala do apartamento.
Era um turbilhão de sentimento.
Era muita intensidade.
Era muito tudo junto: a gente terminou de se criar.
Sabe lá o que é isso?
A gente se pariu na frente um do outro.
Ele me ajudou a sobreviver.
Eu o ajudei a renascer.
A gente se amava muito, ainda.
Ele se culpou.
- Eu sou a cereja no seu bolo de bosta.
Eu abracei.
- Fica tranquilo: a gente casou junto e a gente vai se separar junto.
E assim foi. Contrariando nossas terapeutas [que achavam que a gente deveria romper feito faca amolada], a gente abriu o laço em parceria: ele puxou, meio roto, o lado dele da fita; eu arrastei, toda puída, a minha metade da fita.
Risos, choros, ódios eternos, respeito inabalável, amor [quase] incondicional, parceria pra vida, admiração, tapas, gritos, apelos, atropelos... Vida.
Vida.
Assim foi.
A gente rompeu aquele ovo que a gente tinha criado e que... Meodeos: como doía arrancar aquela placenta do nosso entorno.
“A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer, precisa destruir um mundo.”
Não sobrou nada além de escombros. Além das cascas.
E deles, a gente construiu o que somos hoje. A gente se retroalimentou.
Eu agradeço à Vida por tudo o que fomos.
E o que deixamos de ser.
Só assim nos tornamos o que somos hoje.
A gente terminou de se criar.
Sabe lá o que é isso?
A gente se ama muito, eterno.
Vou dizer que a gente foi bastante competente: nossa obra é fantástica: somos phodda! Hahaha! =)
Se tem coisa que ele não lida na vida é com desgaste.
- To passando. Não quero relacionamento, não, Meu: dão muito trabalho. To cansado de gente louca. Vai ver o problema sou eu.
- Olha Cara: você é chato, mas não é difícil conviver contigo, não. Não acho isso não. Deixa quieto e segue o baile.
Se tem uma coisa que eu preciso na vida é da aprovação dele.
- Poha, Cara: qual é o meu problema? Eu meto tanto medo assim, Meo?
- Cê tem um gênio terrível, mas é um mulherão da poha.
Como se fosse hoje, me lembro: num dado momento, eu olhei praquele lado da cama, praquele homem e pensei que não mais o conhecia.
Dormi, vencida pelo choro.
Quando acordei, havia um espelho e, nele, a minha imagem.
Eu tinha duas alternativas.
Uma delas, era culpar a vida que o esperava além de mim.
A outra?
Bem...
... eu escolhi me olhar quando ele escolheu seguir.
_______________________________________
Em tempo: obrigada, Mozzi.
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
O xixi.
O xixi me disse que sentia-se acuado e precisava sair.
Foi mais uma terça, mas um pouco fora do habitual.
Ainda sem fôlego e com a coxas frouxas, decidi criar coragem e ir ao banheiro quase colado na cama.
Perto. Muito perto. Caminho curto e melhor assim: sempre foi difícil me pensar nua perante alguém.
Sobretudo: sempre foi preciso coragem pra estar nua com alguém.
Fingi não perceber que aquele homem me desnudava já nua.
Senti seu olhar me acompanhar conforme me levantei da cama.
Ele, seguramente, dos corpos mais bonitos que já toquei. "Tremenda responsabilidade", pensei assim que medi de cima a baixo, ainda com roupa. Um "vai me dar trabalho", seguido de "será que dou conta?" foram as justas coisas que consegui pensar. Tão bobagem quanto inevitável.
Coxas torneadas. Uma pele linda, escolhida no Pantone. Tórax definido sem exagero, como quem nasce Adão, pronto. Alto, ombros largos o suficiente para que eu os vestisse em mim.
Fração de segundo: senti aquele olho me descarnar. Por um segundo, o ar ficou denso e, minha cabeça de obesa só dizia "ele tá realmente medindo o produto: você não vai passar de ano".
Tá.
Todo aquele discurso de coisificação da figura feminina à parte: levante a primeira pedra quem nunca ficou por um segundo inseguro sem roupa. Vulnerabilidade define. Sentido amplo.
Tudo isso num piscar e... ok. Já estava em pé e a passos leves, embora gorda.
Foi já sentada na privada que me dei conta do tamanho da minha segurança: era eu com a porta aberta, de onde ele via não só parte do meu corpo, mas também o que eu fazia. E ouvia. Xixi, afinal.
De repente, despertei do transe: ele falava comigo.
- Um peitão lindo... um corpão... taí: gostei... teu corpo é muito bonito. Você é muito bonita.
"Nota 10 fecha bimestre", pensei.
E foi ali, assim desse jeito pouco desenchavido, pouco ortodoxo, que me lembrei: há seis anos, decidi deixar 40 quilos pra trás.

quarta-feira, 13 de julho de 2016
Por fim. [O circunflexo a gosto do freguês.]
Minha Avó adorava este terço.
Trouxe de Aparecida do Norte quando resolvi conhecer a Basílica.
Cheguei a procurar um igual em outras igrejas de outros lugares que visitei, mas sem sucesso.
Era justamente um 12 de outubro, dia da Santa, e no ano em que descobri o câncer de tireoide.
Nunca vou entender muito bem por que quis ir àquela Basílica.
Hoje, há poucos minutos, cogitei que talvez tenha sido pra achar esta peça.
É curioso, mas... este terço já se arrebentou algumas vezes.
E, inacreditavelmente, em todas elas consegui achar as dez bolotas que vão entre uma medalha e outra.
Aconteceu já de arrebentar mais de três vezes num único mês.
Chegou a estourar debaixo do chuveiro, no meio do banho e... contei dez bolinhas e remontei.
É estranho admitir, mas... presto singular atenção a alguns sinais repetitivos.
Eu tirava a roupa no momento do estouro da corda.
E eu vinha num raciocínio desencadeado sobre finais.
Seria inacreditável se não fosse eu comigo.
Hoje à tarde, ouvia um desabafo de preocupação.
Uma das minhas Melhores Amigas [não por acaso, uma das mesmas que me levaram à Aparecida] tá apreensiva com sua 'cã' e todo o processo de tratamento do 'serumaninho': metástase e a certeza de que o que quer que se faça será contenção de dano e dor.
Não há muito o que ser dito num momento de perda pré-anunciada, mas a certeza de que o silêncio me é tantas vezes agressivo, me leva a querer ofertar algum conforto ou compreensão...
Alguém que divide comigo alguma coisa que incomoda, na minha cabeça, espera -nem que mínimo- algum esboço de reação.
Me coube dizer "ela tá velhinha e doentinha... uma hora acontecerá..." num tom doce, mas meio que indicando o caminho do inevitável.
Disse isso e fiquei me questionando se não havia sido fria, ou objetiva demais, até inútil mesmo...
Não há muito sucesso no discurso, mas também não há muito contra argumento.
E me lembrei da minha Avó. E também do meu Pai.
E pensei sobre amigos que já não tenho e sobre relacionamentos acabados e familiares que não vejo.
E em ciclos que findam e minha maneira de lidar com isso e me questionei se não estou me tornando uma pedra seca e rígida no que tange finais e... não achei resposta.
Quanto mais tempo se vive, mais laços são feitos e, automaticamente, a matemática traz maior probabilidade de laços desfeitos também.
Há também o fator 'idade', que vai nos levando os dias e pessoas, estreitando a frequência das perdas.
Há aquilo que a gente chama de 'maturidade' na hora de redefinir histórias, mas que é, tantas vezes, só a maneira que a gente tem de passar a perna na definição daquilo que nos deveria ser cotidiano: resiliência. A gente sabe que vai dar ruim e insiste. Daí vê que não vai mesmo rolar e banca de 'maduro'... maior mentira.
Lembrei de tanta coisa que começou e não foi, de tantos relacionamentos que morreram na praia, de tantas situações inacabadas e emocionalmente amadoras, de gente que não mergulha, gente que teme o vento do mar, não colocando o pé sequer na areia, imagine na água... daí fiquei pensando no tanto de coisa que muda o tempo todo na vida das pessoas e o quanto elas esperam pôr fim naquilo que as desagrada e que, tantas vezes, eu assisto de perto não só as minhas mudanças, mas também...
... o terço estourou.
Eu pensava sobre o final de um relacionamento.
Que não é meu.
Observei, ao longo desse tempo de 'arrebentação de terço', que sempre que acontece, curiosamente, vem uma sequência de ciclos se fechando e outros se abrindo.
Às vezes, muito seguidinhos uns dos outros já que, às vezes, os estouros são mesmo muito seguidinhos uns dos outros...
Acho que to tentando ficar convencida de que há uma linguagem nesses episódios de caça às bolinhas...
Não me lembro qual foi a última vez que meu terço arrebentou.
Significa que já faz tempo... muito mais de ano, talvez.
Não sei dizer.
Eu só sei que achei as dez bolinhas.
E que ele, mais uma vez, foi remontado e, por fim, já se encontra em volta do meu pescoço.
Não sei definir de maneira assertiva essa coisa divinatória em base 10, mas...
... fico no aguardo.
Por ora.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Lacre fisiológico.
Era uma vez que um dos filhos da filha da minha Avó -o mais velho, mas sete anos mais novo que eu- aprontou sabe lá o que e era eu "tomando conta".
Daí que deu caca -não me lembro se caiu ou X- e deu ruim pro meu lado: veio a Maria Bonita comendo vento na minha direção.
Sempre fui de debater quando me senti injustiçada. Ali, não foi diferente. E ali eu ainda acreditava que berrar mais alto faria diferença. E assim foi. E falei um monte. E aí o que foi sem querer, virou pessoal. E aí que ela era a mais velha da discussão: tinha razão só por existir. E eu, a mais argumentativa. [Sim: uma criança custosa e não dúctil pra quem se recusava. Pudera, inclusive.]
Na falta de competência em me retrucar, lá foi cascudo: sempre a amei muito, mas ela nunca foi fácil. Tampouco paciente.
Levei. Pelo tombo do garoto -acho que foi isso, não lembro...-, por revidar no discurso -»criança« tem de calar a boca- e por urrar -quem gritava ali era ela e mais ninguém, segundo a própria-.
Lembro que me encolhi na fresta entre o guarda-roupas e a parede. E chorei. E chorei miúdo. Muito. Horas.
Achei que não merecia a culpa por uma inabilidade que não era minha: sempre levantei a mão e disse "fui eu quem fez a caca" quando na minha vez.
Doeu, viu? Nem sei mensurar.
E, às vezes, o mundo será isso sem de que em muitas instâncias.
Severidade gratuita, essa coisa.
Ali porque ela tinha mais idade, talvez.
Ou por representar o poder da casa.
Ou porque, bradando, perdi totalmente o direito a ser ouvida.
A real é que quem grita quase sempre representa o desequilíbrio.
Ainda que o "senta lá Cláudia" seja cruel.
Ainda que o "cala boca senão te bato" seja opressor.
Ainda que "que".
Tem hora que esqueço a lição.
Noutras eu lembro.
E é bem nessa hora que desço do caixote do discurso, guardo o microfone e a viola dentro do saco.
Afinal de contas, O Comedimento sempre tem a prerrogativa da fama da sanidade.
A Argumentação, não.
Ela cumpre bem seu papel, coitada... sacode zona de conforto, tenta entendimento, busca alternativa... mas é barulhenta. E descompensada. E descompassada.
Coitada e calada, de preferência.
- PFVorzinho, amém?
- Amém. -disse a »criança« inconsequente a ser regrada na falta de voz.
Daí que deu caca -não me lembro se caiu ou X- e deu ruim pro meu lado: veio a Maria Bonita comendo vento na minha direção.
Sempre fui de debater quando me senti injustiçada. Ali, não foi diferente. E ali eu ainda acreditava que berrar mais alto faria diferença. E assim foi. E falei um monte. E aí o que foi sem querer, virou pessoal. E aí que ela era a mais velha da discussão: tinha razão só por existir. E eu, a mais argumentativa. [Sim: uma criança custosa e não dúctil pra quem se recusava. Pudera, inclusive.]
Na falta de competência em me retrucar, lá foi cascudo: sempre a amei muito, mas ela nunca foi fácil. Tampouco paciente.
Levei. Pelo tombo do garoto -acho que foi isso, não lembro...-, por revidar no discurso -»criança« tem de calar a boca- e por urrar -quem gritava ali era ela e mais ninguém, segundo a própria-.
Lembro que me encolhi na fresta entre o guarda-roupas e a parede. E chorei. E chorei miúdo. Muito. Horas.
Achei que não merecia a culpa por uma inabilidade que não era minha: sempre levantei a mão e disse "fui eu quem fez a caca" quando na minha vez.
Doeu, viu? Nem sei mensurar.
E, às vezes, o mundo será isso sem de que em muitas instâncias.
Severidade gratuita, essa coisa.
Ali porque ela tinha mais idade, talvez.
Ou por representar o poder da casa.
Ou porque, bradando, perdi totalmente o direito a ser ouvida.
A real é que quem grita quase sempre representa o desequilíbrio.
Ainda que o "senta lá Cláudia" seja cruel.
Ainda que o "cala boca senão te bato" seja opressor.
Ainda que "que".
Tem hora que esqueço a lição.
Noutras eu lembro.
E é bem nessa hora que desço do caixote do discurso, guardo o microfone e a viola dentro do saco.
Afinal de contas, O Comedimento sempre tem a prerrogativa da fama da sanidade.
A Argumentação, não.
Ela cumpre bem seu papel, coitada... sacode zona de conforto, tenta entendimento, busca alternativa... mas é barulhenta. E descompensada. E descompassada.
Coitada e calada, de preferência.
- PFVorzinho, amém?
- Amém. -disse a »criança« inconsequente a ser regrada na falta de voz.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Como Ar...
- O que há, Pandora?
- Por onde começo?
- Divide o discurso.
- (...).
Ele sofre não Viver.
E ele tem medo de perder Aquela.
Ele lá sofreu um acidente feio.
Ele beijou sem certeza.
E ele quer beijar.
Ele lá tá com saudade do beijo.
Ele Ama e Reluta.
E ele tá com medo de começar a amar.
Ele lá Ama que chega dói.
Ele é inconstante.
E ele teme a constância que cresce.
Ele lá se chama constância e não deixa dormir, nem ser solidão escolhida... e nem viver outras coisas.
Ele encostou o nariz no nariz e sorriu.
E ele sonha com... o tudo no todo.
Ele lá vem com tudo no já.
Ele vai carnavalizar.
E ele é febre de Carnaval.
Ele lá quer Carnaval.
Ele abraça querendo.
E ele não sabe se vai abraçar.
E ele lá vem pra abraçar.
Ele faz perder adereço.
E ele é feliz adereçando.
E ele lá ficou sem conversar porque ninguém pode mexer nas gavetas, tampouco nos adereços.
Ele segurou pelo cabelo da nuca.
E ele teme achar a nuca.
Ele lá sabia que o silêncio momentâneo era por causa da nuca.
Ele xinga mentalmente por ceder sem pensar, mesmo querendo.
E ele quer ceder, mas não sabe.
E ele lá cede de querer matar por saber onde, quando, por quê e... Quem.
Ele queria ter coragem.
E ele tá a um triz de comprar coragem.
Ele lá tá vendendo coragem no varejo.
Ele tem sintonia fina de relógio igual, música no rádio igual, leitura do dia igual, psicologia igual.
E ele teme a sintonia que nasce.
Ele lá adivinha da tristeza por briga ao minuto do beijo na boca, dos motivos ao personagem da vez e... sofre com isso.
Ele cala quando não sabe lidar.
E ele articula muito bem, tanto que passou a ser.
Ele lá argumenta questionando onde, quando, por quê e... Quem e por que Quem.
E ainda tem aquele que nunca deixou de Amar, mas não é correspondido.
- O que você vai fazer, Pandora?
- Abrir a Caixa: vai ser nesse "quando" que o Tudo muda. Eles precisam ter um acerto de contas com a Coragem. Porque Viver é breve.
- Você é corajosa: teu Amor é despendido... como Ar.
- Por onde começo?
- Divide o discurso.
- (...).
Ele sofre não Viver.
E ele tem medo de perder Aquela.
Ele lá sofreu um acidente feio.
Ele beijou sem certeza.
E ele quer beijar.
Ele lá tá com saudade do beijo.
Ele Ama e Reluta.
E ele tá com medo de começar a amar.
Ele lá Ama que chega dói.
Ele é inconstante.
E ele teme a constância que cresce.
Ele lá se chama constância e não deixa dormir, nem ser solidão escolhida... e nem viver outras coisas.
Ele encostou o nariz no nariz e sorriu.
E ele sonha com... o tudo no todo.
Ele lá vem com tudo no já.
Ele vai carnavalizar.
E ele é febre de Carnaval.
Ele lá quer Carnaval.
Ele abraça querendo.
E ele não sabe se vai abraçar.
E ele lá vem pra abraçar.
Ele faz perder adereço.
E ele é feliz adereçando.
E ele lá ficou sem conversar porque ninguém pode mexer nas gavetas, tampouco nos adereços.
Ele segurou pelo cabelo da nuca.
E ele teme achar a nuca.
Ele lá sabia que o silêncio momentâneo era por causa da nuca.
Ele xinga mentalmente por ceder sem pensar, mesmo querendo.
E ele quer ceder, mas não sabe.
E ele lá cede de querer matar por saber onde, quando, por quê e... Quem.
Ele queria ter coragem.
E ele tá a um triz de comprar coragem.
Ele lá tá vendendo coragem no varejo.
Ele tem sintonia fina de relógio igual, música no rádio igual, leitura do dia igual, psicologia igual.
E ele teme a sintonia que nasce.
Ele lá adivinha da tristeza por briga ao minuto do beijo na boca, dos motivos ao personagem da vez e... sofre com isso.
Ele cala quando não sabe lidar.
E ele articula muito bem, tanto que passou a ser.
Ele lá argumenta questionando onde, quando, por quê e... Quem e por que Quem.
E ainda tem aquele que nunca deixou de Amar, mas não é correspondido.
- O que você vai fazer, Pandora?
- Abrir a Caixa: vai ser nesse "quando" que o Tudo muda. Eles precisam ter um acerto de contas com a Coragem. Porque Viver é breve.
- Você é corajosa: teu Amor é despendido... como Ar.
domingo, 13 de dezembro de 2015
Alguém viu o Lúcifer?
Tava esses dias pensando sobre atitudes.
Tudo bem: tema amplo... é preciso especificar.
Tava pensando sobre atitudes e os reflexos delas interrelações.
Tudo bem: tema ainda amplo...
Tava pensando sobre atitudes, os reflexos delas entre as pessoas, mas sobremaneira no quanto a gente tá acostumado a se culpar quando não se encaixa no padrão esperado dentro dessas atitudes.
É. Acho que ainda não tá inteligível...
Tava pensando mesmo é no quão necessário é pro mundo achar lógica nas atitudes das pessoas.
É. Acho que é isso. É nisso que andei pensando, mas ainda não to exatamente onde quero chegar... acho que só tentando:
Tudo bem que na vida é sempre preciso uma lógica. Acho mesmo que muita gente -Oi.- tem dificuldade em lidar com a falta dela.
No entanto, quase sempre a lógica vista de fora não é exatamente a mesma de quem tá dentro.
É preciso, tantas vezes, se colocar no lugar das pessoas pra poder tentar tatear -já que saber exatamente nem sempre é possível até mesmo pro sujeito agente- o caminho percorrido pelas vontades todas. Ou a falta delas.
O que me parece é que há uma tendência quase natural -que eu prefiro mesmo é chamar de insensata- de atrelar conceitos considerando 'proximidades'.
É... vai ser tenso me explicar...
Proximidades?
É.
Mais ou menos como quando a gente quer mudar de casa e quem tá de fora acha que a gente tá fazendo o melhor negócio do mundo, mas na verdade a gente tá deixando pra trás uma história dolorida, que não propõe propriamente uma mudança tranquila, ou mesmo boa.
Ou quando te vêem mais magro, mas... sequer sabem que não foi esforço de academia, mas sim uma pneumonia desgraçada que te ganhou no paparico.
Ou ainda quando acham que você tá saindo da casa dos pais porque não suporta mais eles, mas na verdade tá mesmo é tentando se bastar: o movimento não é de ira, mas de independência. E só você sabe o quanto vai sentir falta daquele feijão com bacon esperto...
Tipo ainda quando a pessoa enche a lata na festa e todo mundo acha que ela tá sofrendo por amor: não, cara! O trouxa só encheu a lata porque tava feliz demais da conta e queria rir a noite toda!
Ou ainda aquela amiga maluca que transa sem parar com tudo e todos, e é julgada pra caramba, coitada... sobretudo depois do pé na bunda que levou daquele namorado que todo mundo adorava, mas que era um banana... e... fala sério: na real ela tá é 'comendo' a vida loucamente porque é livre. Achou melhor.
Tem ainda a situação considerada 'extrema', da neta do vizinho que teve uma overdose porque cheirou cocaína a noite toda na festa e... putz! A vida dela é uma bosta... mas não é: tem dinheiro pra caramba pra comprar a melhor cocaína que existe, entrar na melhor balada, pegar o cara mais cobiçado já que ela é linda porque pôde pagar toda plástica do universo. E no fundo: ela é mesmo uma 'boa vivant': tem um namorado de infância que ela ama loucamente, mas não sabe ser fiel... daí aproveita a vida, já que nada falta e tudo sobra. E dessa soma toda, a overdose é só mais um capítulo da 'vida loca' que ela escolheu.
É. Escolheu.
Atitude é escolha. Na minha cabeça, talvez, essa seja a única proximidade permitida entre conceitos dessa natureza.
Ninguém nunca sabe sobre molas mestras alheias: é muita presunção.
Ninguém nunca vai poder adentrar o mistério que é um cérebro que não seja o seu.
O meu mesmo é um campo minado: eu não me sei na totalidade, mas me conheço o suficiente pra me procurar em mim. Eu sempre sei pra onde voltar aqui dentro.
E acredito mesmo que a grande maioria das pessoas interessadas no assunto 'elas por elas mesmas' sabe pra onde voltar. Ou, ao menos, o fio da meada que largam pra trás enquanto se buscam pelo lado de dentro.
É subestimar demais a capacidade de autoanálise alheia o partir do pressuposto de que ninguém se enxerga como é.
Obviamente que psicólogos não se formam à toa: consultórios cheios, falta de horário... essa dificuldade em suprir as necessidades da vida moderna... ATIVA.
Saca o pulo do gato??
Uma vida.
Moderna.
Ativa.
Atividade -> atitude -> escolha.
Alguém em constante atividade não tá vazio. Não tá preenchendo espaço com fuga, ou válvula de escape, ou mágoa de cabocla, ou depressão pós fim de relacionamento...
Gente que tem muito pra pensar e muito pra fazer acaba precisando fazer inúmeras escolhas nessa vida: mudar de ramo, mudar de rota, viajar demais, acertar agenda pra conseguir dar conta de tudo, inclusive reunir os amigos na mesa do bar, bebendo todas, rindo até tarde e ainda ir pra casa dirigindo porque não pode chamar o Uber: amanhã às nove tem de tá em Jundiaí pra poder levar a sobrinha pro torneio de vôlei, então... não vai dar pra deixar o carro no estacionamento que fecha depois das quatro da manhã... uma pena, mas... vai ter de correr o risco.
E ainda tem aquela da moça que passou uma vida virgem. De repente, criou coragem. 'Desandou'. E saiu por aí, à felação sem preservativo. Putz! Que burra. Eita! Que se lascou: ficou doente.
Tsc. Uma pena mesmo, mas... ela teve bem pouco tempo pra se preocupar em dar: cuidava da avó. Era enfermeira... Nem dá pra dizer que não sabia o risco que corria... mas... preferiu pagar o preço e viver como achou que deveria.
Ela ri, enquanto conta ao novo amigo como foram as orgias na cobertura no Guarujá: apartamento do médico de quem era amigo. Um baita cara bacana e divertido, que soltava o som no último volume, incomodando vizinhos enquanto aplicava quetamina na geral que gostava dum sexo abusado.
É. É isso aí.
E tira lá a vodca do congelador! E vê se abre o energético: ela vai ter história pra contar e o Lúcifer adora um causo... tá lá se assuntando pra distrair.
E tira lá a vodca do congelador! E vê se abre o energético: ela vai ter história pra contar e o Lúcifer adora um causo... tá lá se assuntando pra distrair.
Fecha na caipirosca, que ele já tá com a carne no ponto: mal passada, esperando a bebida enquanto ouve, lúcido, as gargalhadas dela cheias de luz.
Vai logo, enquanto o sangue tá quente e ele foi ao banheiro!
E vê se não abusa no sal: tira o gosto bom da vodca cara e... o diabo do tesudo é hedonista!
Não tem tempo pra perder, não.
Não tem tempo pra perder, não.
domingo, 18 de outubro de 2015
As comportas estão abertas.
- Por quem?
- Por ele.
- Ele?
- Isso.
- Quem é ele?
- Ele é.
- Não tem nome?
- Tem, mas não importa. O importante é ser ele.
Mentalmente, as pessoas humanas enquanto seres viventes me questionam desse jeitinho aê.
Verbalmente, já ouvi dessas perguntas e, hoje, respondo de maneira reta e curta. Como ali está.
Ele um dia foi tema de texto. Em agradecimento ao acaso.
Era um 'texto-presente'. No blog mesmo. Aqui.
Ele é livro que dorme.
Ele hoje é esse texto que é em mim sendo o meu eu nele.
Isso.
Assim mesmo.
Embolado tudo junto.
Um dia, uma porta de garagem se abriu e ele entrou.
Assim. No nada. Direto do buraco negro.
- Oi. Cheguei. Você nunca me viu, nem eu tenho muita certeza de nada nunca, mas muito acho que a gente tem, a partir daqui, uma História. -disse aquele sorriso maroto e tímido.
- Oi. Se achegue. Eu nunca te vi. Nesta vida. Porque te reconheço. Não me pergunte de onde. Tampouco pra onde vou. Eu só consigo enxergar que vou te carregar sempre comigo. -reverberou meu pensamento mudo.
Gosto musical foi sempre muito importante pra mim: amo música.
Em geral, meus Amigos nem sempre curtiam tudo o que eu gostava. Um ou outro me acompanhava numa ou noutra preferência, mas nunca em... QUASE TUDO.
Ele sim. De cara. Na largada.
- Adoro essa música!
- Cê conhece?
- Sim!! Tenho todos os álbuns!
- Mentira.
- Juro.
- Seeeeensacionaaaaaaaaallll!
Raciocínio lógico.
Considerações sempre muito bem colocadas, mesmo em discordância.
Argumentos com forma. E conteúdo.
Filosofia.
Visão de mundo.
Visão do externo.
Visão interna.
Psicologia.
Profundidade.
Semelhança.
E logo depois vieram os mesmos gostos gastronômicos.
E tudo que haveria de ser novo: minha primeira comida japonesa.
Marzipã.
Perdi as contas já de quantos "Bora no lugar tal? Lá tem um troço assim e assado que é um des-con-trôoole."
Fora o bacon básico da gula de cada dia. Que nem sempre pôde ser possível, dado o teor calórico.
A real é que Pecado Capital é um troço que atrai...
E sempre traz gente que também peca. Uma desgraça! Hahahaha!
Nunca fui cinéfila. Nunca fiz questão. Até a primeira sessão de Cinema Europeu com ele. Não era um hábito.
A cidade brasileira que mais queria conhecer era Salvador.
Check! Fui. Ele tava.
Sempre senti falta de alguém que me acompanhasse em exposições e olhasse prum quadro com a mesma ótica que eu. Ou que me acrescentasse o que não vi.
Ele existia já: tinham aberto a porta da garagem feito a Porta da Esperança. Eu já tinha companhia. Então.
Maoêeeee! Ufa.
Minha parceria na tormenta. Algumas.
Eu saía do meu redemoinho por ele. Era quando ele vinha abrindo a Porta dos Desesperados e eu saía correndo descabelada, ouvindo Sérgio Malandro berrar glu-glu. Tipo isso.
- Para. Péra. Não. Calma. Releia. Carolina: sai do looping!
Tinha dias que queria não querer respirar. E pra sair da minha nudez eletiva pra botar uma roupa e tirar o carro de casa... olha: só muito Amor, vio?
[Tá. Ok. Às vezes, muito às vezes mesmo, eu continuava jogada na cama, mas... na Internet falando pelos cotovelos com ele. Que não sou obrigada. De nada.]
Daí que ele existia e era minha companhia predileta pra maioria das coisas. Eu ia.
Minha pior fase de grana.
Não sobrava. Faltava.
Comprava meus tickets porque sabia que eu jamais aceitaria ajuda de outra maneira.
E acho que fingia não ver que durante um tempo, 'preferi' trabalhar de ônibus, quando, na verdade, tava mesmo era economizando pra poder pagar meia no cinema duas vezes na semana: acontecia muito de ter quarta de cinema e repeteco no sábado. Ou domingo. Ou os três.
E era ou gasolina todo dia, ou cinema com ele.
Nunca houve disputa: entre qualquer coisa e ele, ele.
E as horas de conversa no carro?
Hoje, quando lembro, faço contas mentais, penso em tantos fragmentos de conversa... Eu não sei precisar quanto tempo 'ganhei'.
- Ca-ro-li-nah: você é rê-tarda-dah!
- Sou. E cê gosta.
- Ah... num sei não, hein?
- Tsc. Mente mal.
Cenas gravadas na memória.
Cãibras na bochecha colecionadas nos momentos de riso ininterruptos. Chega a barriga dói quando acontece.
Densidade emocional. Muitas das conversas viraram pedaço de texto.
E... brigas.
Inúmeras.
As piores da minha vida.
Eu tinha dor física, sempre que.
Enxaqueca. Dor de estômago.
E passou a ter ar de "nunca mais". Que durava até não suportar mais a falta: um dos dois cedia. Alternava: dependia do grau de carência um do outro que era vigente no momento. E lá íamos nós. Com o pé atrás, até que tudo era cinema na quarta de novo. E sábado.
E a felicidade parceira acabava, já então, no exato momento em que um decidia não aceitar o outro. E enquadrava.
E foi virando falta de ar.
E foi desalinhando o traço da nossa imagem em comum.
Eu tremia por nós.
Ele se desassossegava por mim.
Eu via manchas.
Ele via borrão.
Não suportei a visão turva. Minha. Dele.
Ele sofria também: a gente se maltratava tentando se bentratar.
E extrapolei a moldura -segundo ele.
E risquei, no quadro, a parte dele do desenho. Ele chorou.
Eu murchei por dentro.
Pedi pra sair.
Bati a porta atrás de mim.
Ele ficou na janela. Incrédulo. Olhando a chuva desmoronar nossa parceria em lama. Inconformado.
Eu me chafurdei naquela lama como quem volta pro útero.
Passei lama no rosto como quem procura curar a pele. Inconformada. Também.
Não consegui salvar: a pele caiu.
Nasceu outra. Fina, ainda. Muito mais vulnerável que protetora.
Uma tentativa de reaproximação frustrada.
Mágoa.
Tristeza.
Saudade do que tinha de bom.
Dor por tudo que não restou.
Falta.
Sobrava falta no meu pote.
E assim foi o mergulho em mim: sofri minha própria sentença.
Era o 'nunca mais'.
E eu partida em duas. Ou muitas.
Luto. Meses. Doença da Alma.
Recomposição.
Já quase em pé, respirando sem aparelhos, decomposição: Doença do Corpo.
Incurável. Dizem.
Caí de novo. Julguei não suportar.
Dor. Muita. Medo. Solidão.
Uma solidão sem rosto.
Uma solidão sem nome.
Quem tem uma doença que dizem terminal, tem ela em si como companhia. Apenas. Pouco importando quem ou quantos ao redor.
As pessoas me olhavam com dó, como se enterrada eu já estivesse.
Era uma dor fálica. Bruta.
Não há sutileza em ter de se superar.
O Câncer é essa coisa que muta célula boa em podre. Numa autocontaminação sem fim.
A falta do 'abraço de costelas quebrantes'... Só eu sei o quanto precisei olhar naqueles 'olhos tlistes de tonilho' e dizer:
- Fodeo, Exceção.
Pelo histórico pessoal dele: era meu dever poupá-lo: proibi todos. Ninguém deveria contar a ele que eu não estava bem. Fosse quem fosse: eu não perdoaria.
Eu bati a porta atrás de mim, mas que ninguém, jamais, se metesse: só nós sabíamos o que éramos.
Eu deveria poupá-lo. E fiz.
Tratamento.
Alívio de esperança.
Expectativa do tempo: só ele poderia me dizer curada de fato.
E tô! Ainda bem! :)
Mudança de rota.
Mudança astral.
Mudança física.
Mudança psíquica. [Terapia, essa bênção.]
Mudança mesmo: de cidade!
Foram uns 16 anos de amadurecimento em só exatos 1 ano e 4 meses sem ele: a cada 30 dias, percebia uma ruga diferente na Alma: me levaram um pedaço. Eu me levei dum pedaço.
Pedaço que era num com + fiar da Vida na Minha [Nossa] História.
Sempre foi confiança. A Vida veio e alinhavou a parceria. Sem perguntar muita coisa.
Um dia, no derradeiro meu aniversário antes da porta batida, me disse:
- Carolina: eu desejo que você se torne Mulher.
O Gênio da Lâmpada ouviu. Acho.
E só já Mulher é que foi quando fui na esgueira daquela porta batida atrás de mim.
- Oi. Lembra de mim? Eu sou aquela que te disse na garagem que era pra sempre.
- Oi. Lembro. E não sei se quero lembrar. A História tem um ponto final.
- Quero abrir outro parágrafo.
- Perdi a caneta.
Restei em mim... Mas esqueci fresta aberta na porta.
Tomou coragem. Abriu a porta e encostou a cabeça no batente.
Olhou o corredor.
E me viu sentada. De costas. Olhando o horizonte.
Mediu a distância.
- There?
Reconheci a voz.
Olhei pra trás e vi um sorriso.
Saí correndo. [Sem saber se ria ou chorava...]
Veio sem pensar. [Ele não pode pensar. Não pode dar tempo de pensar. Senão dá tela azul do Windows... Hahaha!]
Ainda arfando [a gente tá velho, né?], com medo de perder em se ganhar, tudo terminou num abraço de quebrar costelas, aquele que tanto precisei. E choro. E flores. Que não eram, mas nos serviram como Acácias.
Acácias e sua simbologia tão 'o quê somos nós'.
O que há pouco mais de um ano a gente intitulou 'refazenda', virou, no meu aniversário deste ano, um "e agora espero que pra sempre".
E, afinal de contas, esse contar do conto não tem fim. E nunca terá. É transcendente.
"Quem me dirá não o que desejo, nem o que sei, mas aquilo de que preciso?
Sem botar nem tirar uma sílaba?
Quem saberá contar o enredo sem alterar o tom, o teor e o desfecho?
Sem errar, nem mudar uma vírgula?".
Os olhares que nos cuidam jamais saberão recontar e remontar: o mundo procura obviedades.
E nessa História não mora o óbvio.
Tudo que há de ser subjetivo é circunstancial.
"Viver é um descuido prosseguido", diria o lamento sertanejo.
E é.
E segue sendo...
_______________________
... E assim sendo... >>> [Esse "e" eu colocaria minúsculo, mas como sei que não trabalha minúsculas depois de reticências, deixei a licença poética de lado... E...]
Como eu dizia...
... E assim sendo:
Que a gente saiba represar pra gerar energia.
E que... As águas corram certeiras de sua importância.
Hey! Benvindo aos 35!
Daí que me lembrei que a gente tinha um pacto, caso, aos 35, ainda não tivéssemos feito vítimas por aí e casado: procriaríamos, garantindo o projeto 'Continuidade Inteligente da Espécie'.
Mas vôdizzê: não precisaremos procriar. [Amém.]
[Crianças: não trabalhamos. (Ambos. Acho. Certezo, talvez.)]
Nós nos "re-parimos".
Cada um em si.
E nós (s)em nós.
Nosso trabalho tá feito: garantimos continuidade. A nossa.
Não sei. Só sei que foi assim.
E... Valendo!: de mim pra você, no já, neste aniversário: "nunca serão".
Não vou dizer que te desejo isso ou aquilo. É mentira.
Eu não desejo nada a você. Desejar é querer. Querer não é ser.
Ser é fazer. E constituir.
A gente se faz. E refazer. E se constitui. Sempre que.
Eu torço por você como por mim.
Um dia, soube que disse por aí:
- Não se meta. A Carol é inegociável. A gente briga, a gente se entende. Não se meta: você perde. Todo mundo perde: nos resolvemos entre nós.
Não se meta, Mundo.
Você perde.
Você.
Perde.
Mundo.
Nós, não.
A gente se ganha. [Um "¡Olé!" ao Cassino que é a Vida. (Pode dizer que sou phodda linkando teu discurso. Sou mesmo.)]
A gente "se acha". [De buscar. E de 'modestar'. Um bejão, mundo! #smackmybitchup!]
Os detalhes que se somam.
Você é feito de 'circunstâncias' aqui.
A gente se resgata.
Na semelhança.
E no espelho.
Sempre.
Mesmo que.
Apesar de.
Ainda se.
... Porque, às vezes, é preciso perder-se em Dois para encontrar-se em Um. E, de repente, no Um, resgatar-se em Dois.
Quem sou eu?
A Frase -essa aí- rebento de costela.
Quem é você?
O Barro.
E dono das mãos mais lindas do Meu Mundo! :)
Mãos que me fazem entender Adão.
O quê somos?
Um paradoxo.
E "ok".
E aqui é ~também~ sem negociação.
Feliz Dia, Babe.
Os 35 não marcam retorno de Saturno, mas de Plutão.
E vida vivida! E vívida! :)
Taí, Peçoa: arrasei na simbologia dos Dois Planetas.
Que você possa consumir ~alquimicamente~ cada segundo do porvir.
Seja! O que achar que deve.
Vá! Onde achar que deve se buscar.
Fique. Porque sempre haverá um café riqueza aqui, três sabores de gelato acolá e tantos "era uma vez".
Eu te amo.
E não é pouco.
Nem haveria de ser.
_____________
Daí que comecei a escrever isso a partir de um comentário teu numa postagem minha recente, onde me disse:
- ❤, mas você sabe!
Te contei, inclusive.
E li um "só você pra preparar o presente dois meses antes".
Já li, reli, fiz, refiz, vi, revi este texto inúmeras vezes.
Tanto quanto o que é essa Nossa História.
E quanto mais eu olho, mais percebo o quão imprescindível é esse tudo no todo do nosso tempo todo.
Quanto mais trabalho nele e viajo nos recortes, mais reforço o 'eu sei'.
E mais nítido é o JRSN cravado na placa de bronze na numerada do Caronte.
Ouvi falar que pérola é inflamação de grão de areia que machuca a ostra.
Carrego pessoas como conchas: minha maneira delicada de carregar tudo, todos, tempo todo.
Contigo é um pouco diferente: levo a ostra toda em Relicário.
Respeito o tempo de retardo na abertura da concha-cofre.
Não costumo me incomodar muito com os 15" de espera até que a porta de chumbo apite pra ser aberta.
Eu, que não respeito quem não tem cicatrizes, sou um tanto mais feliz quando acho parceria na pérola. [Batismo por Modéstia, a Deusa Grega, essa coisa.]
E isso ~A Parceria~, por si só, já vale a espera. [Estamos em crise econômica. Issaê é Varejo. E Varejo Emocional de primeira linha. O sistema capitalista é rústico: vai sair cara esta frase. No teu lugar, eu deslia.]
Não me importo muito justamente porque, em algum ponto dos já 10 anos, descobri que pra compreensão de alguns (d)efeitos especi(colater)ais do Fantástico Mundo de Bob...
... Só eu sei a sequência dos discos de segurança do segredo manual do cofre: um único milímetro em falso e... Mais meia hora de retardado pra programar os próximos 15" de espera.
O Mundo, todos os dias, nos oferta muita coisa nesta Vida.
A gente 'compra' conforme necessidade.
A gente tem sempre um alguém pra cada coisa.
Só que quando se é um 'bom menino' ~kkk!~, pode ser que role da Vida premiar com um Combo.
Tipo Box Compre 1, Leve 4: puuuuuura raridade mercadológica.
Oi.
Ha.
Quédizzê.
Carolina pra todo mundo: num vai táteno. Ocupada valeno pouco, mas por 4.
"Available. Or not."
Shooooooooopa, Cruel World! Hahahaha! :D
Death by chocolate is myth.
This I know because I lived.
Nunca esqueci.
E sou quase [nenfodeno] obediente. Hahahaha!
Sempre sei pra onde voltar.
Que sempre seja época de cheia.
Que as comportas sempre se abram.
E que, por vezes, sejam violentas: o espetáculo é lindo. Sobretudo, pra quem tem olhos de sentir.
Que elas sejam imponentes sempre que transbordar.
Ainda que assuste.
:)
E sempre é oportuno repetir: eu sei viver sem você por perto, só que não vou.
Se tua previsão mora no "pra sempre": eu garanto o predicativo.
Tnx a lot 4... Everything, Exception Box.
[Pra você, sempre maiúsculas no pós reticências e...
... Ponto-Parágrafo.]
Carinhosamnt,
CaroLayla,
Designer de Projeto Abstrato,
Divisão de Recursos Setoriais - Eixo CWB X SAO,
Núcleo Dois Planetas,
Meu Mundo S/A.
❤!
- Por ele.
- Ele?
- Isso.
- Quem é ele?
- Ele é.
- Não tem nome?
- Tem, mas não importa. O importante é ser ele.
Era um 'texto-presente'. No blog mesmo. Aqui.
Assim mesmo.
Embolado tudo junto.
Assim. No nada. Direto do buraco negro.
- Oi. Se achegue. Eu nunca te vi. Nesta vida. Porque te reconheço. Não me pergunte de onde. Tampouco pra onde vou. Eu só consigo enxergar que vou te carregar sempre comigo. -reverberou meu pensamento mudo.
- Cê conhece?
- Sim!! Tenho todos os álbuns!
- Mentira.
- Juro.
- Seeeeensacionaaaaaaaaallll!
Considerações sempre muito bem colocadas, mesmo em discordância.
Argumentos com forma. E conteúdo.
Filosofia.
Visão de mundo.
Visão do externo.
Visão interna.
Psicologia.
Profundidade.
Semelhança.
E tudo que haveria de ser novo: minha primeira comida japonesa.
Marzipã.
Perdi as contas já de quantos "Bora no lugar tal? Lá tem um troço assim e assado que é um des-con-trôoole."
E sempre traz gente que também peca. Uma desgraça! Hahahaha!
Check! Fui. Ele tava.
Ele existia já: tinham aberto a porta da garagem feito a Porta da Esperança. Eu já tinha companhia. Então.
Maoêeeee! Ufa.
Eu saía do meu redemoinho por ele. Era quando ele vinha abrindo a Porta dos Desesperados e eu saía correndo descabelada, ouvindo Sérgio Malandro berrar glu-glu. Tipo isso.
Não sobrava. Faltava.
Comprava meus tickets porque sabia que eu jamais aceitaria ajuda de outra maneira.
E acho que fingia não ver que durante um tempo, 'preferi' trabalhar de ônibus, quando, na verdade, tava mesmo era economizando pra poder pagar meia no cinema duas vezes na semana: acontecia muito de ter quarta de cinema e repeteco no sábado. Ou domingo. Ou os três.
E era ou gasolina todo dia, ou cinema com ele.
Nunca houve disputa: entre qualquer coisa e ele, ele.
Hoje, quando lembro, faço contas mentais, penso em tantos fragmentos de conversa... Eu não sei precisar quanto tempo 'ganhei'.
- Sou. E cê gosta.
- Ah... num sei não, hein?
- Tsc. Mente mal.
Cãibras na bochecha colecionadas nos momentos de riso ininterruptos. Chega a barriga dói quando acontece.
Inúmeras.
As piores da minha vida.
Eu tinha dor física, sempre que.
Enxaqueca. Dor de estômago.
E passou a ter ar de "nunca mais". Que durava até não suportar mais a falta: um dos dois cedia. Alternava: dependia do grau de carência um do outro que era vigente no momento. E lá íamos nós. Com o pé atrás, até que tudo era cinema na quarta de novo. E sábado.
E foi virando falta de ar.
E foi desalinhando o traço da nossa imagem em comum.
Eu tremia por nós.
Ele se desassossegava por mim.
Eu via manchas.
Ele via borrão.
Ele sofria também: a gente se maltratava tentando se bentratar.
E extrapolei a moldura -segundo ele.
E risquei, no quadro, a parte dele do desenho. Ele chorou.
Eu murchei por dentro.
Bati a porta atrás de mim.
Ele ficou na janela. Incrédulo. Olhando a chuva desmoronar nossa parceria em lama. Inconformado.
Passei lama no rosto como quem procura curar a pele. Inconformada. Também.
Não consegui salvar: a pele caiu.
Nasceu outra. Fina, ainda. Muito mais vulnerável que protetora.
Mágoa.
Tristeza.
Saudade do que tinha de bom.
Dor por tudo que não restou.
Sobrava falta no meu pote.
E eu partida em duas. Ou muitas.
Recomposição.
Incurável. Dizem.
Caí de novo. Julguei não suportar.
Uma solidão sem rosto.
Uma solidão sem nome.
Quem tem uma doença que dizem terminal, tem ela em si como companhia. Apenas. Pouco importando quem ou quantos ao redor.
As pessoas me olhavam com dó, como se enterrada eu já estivesse.
Não há sutileza em ter de se superar.
O Câncer é essa coisa que muta célula boa em podre. Numa autocontaminação sem fim.
Eu deveria poupá-lo. E fiz.
Alívio de esperança.
Expectativa do tempo: só ele poderia me dizer curada de fato.
Mudança astral.
Mudança física.
Mudança psíquica. [Terapia, essa bênção.]
Mudança mesmo: de cidade!
Sempre foi confiança. A Vida veio e alinhavou a parceria. Sem perguntar muita coisa.
- Oi. Lembro. E não sei se quero lembrar. A História tem um ponto final.
- Quero abrir outro parágrafo.
- Perdi a caneta.
Tomou coragem. Abriu a porta e encostou a cabeça no batente.
Olhou o corredor.
E me viu sentada. De costas. Olhando o horizonte.
Mediu a distância.
Olhei pra trás e vi um sorriso.
Veio sem pensar. [Ele não pode pensar. Não pode dar tempo de pensar. Senão dá tela azul do Windows... Hahaha!]
Sem botar nem tirar uma sílaba?
Quem saberá contar o enredo sem alterar o tom, o teor e o desfecho?
Sem errar, nem mudar uma vírgula?".
E nessa História não mora o óbvio.
E segue sendo...
Que a gente saiba represar pra gerar energia. E que... As águas corram certeiras de sua importância.
Hey! Benvindo aos 35!
[Crianças: não trabalhamos. (Ambos. Acho. Certezo, talvez.)]
Cada um em si.
E nós (s)em nós.
Eu não desejo nada a você. Desejar é querer. Querer não é ser.
Ser é fazer. E constituir.
Você perde.
Perde.
Mundo.
A gente se ganha. [Um "¡Olé!" ao Cassino que é a Vida. (Pode dizer que sou phodda linkando teu discurso. Sou mesmo.)]
A gente "se acha". [De buscar. E de 'modestar'. Um bejão, mundo! #smackmybitchup!]
Você é feito de 'circunstâncias' aqui.
A gente se resgata.
Na semelhança.
E no espelho.
Apesar de.
Ainda se.
A Frase -essa aí- rebento de costela.
Quem é você?
O Barro.
Mãos que me fazem entender Adão.
E "ok".
Os 35 não marcam retorno de Saturno, mas de Plutão.
E vida vivida! E vívida! :)
Vá! Onde achar que deve se buscar.
E não é pouco.
Nem haveria de ser.
Daí que comecei a escrever isso a partir de um comentário teu numa postagem minha recente, onde me disse:
E li um "só você pra preparar o presente dois meses antes".
Tanto quanto o que é essa Nossa História.
E mais nítido é o JRSN cravado na placa de bronze na numerada do Caronte.
Não costumo me incomodar muito com os 15" de espera até que a porta de chumbo apite pra ser aberta.
A gente 'compra' conforme necessidade.
Tipo Box Compre 1, Leve 4: puuuuuura raridade mercadológica.
Ha.
Quédizzê.
Carolina pra todo mundo: num vai táteno. Ocupada valeno pouco, mas por 4.
This I know because I lived.
E sou quase [nenfodeno] obediente. Hahahaha!
Sempre sei pra onde voltar.
Que sempre seja época de cheia.
Que as comportas sempre se abram.
E que, por vezes, sejam violentas: o espetáculo é lindo. Sobretudo, pra quem tem olhos de sentir.
Que elas sejam imponentes sempre que transbordar.
Ainda que assuste.
:)
E sempre é oportuno repetir: eu sei viver sem você por perto, só que não vou.
Designer de Projeto Abstrato,
Divisão de Recursos Setoriais - Eixo CWB X SAO,
Núcleo Dois Planetas,
Meu Mundo S/A.
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