quarta-feira, 18 de maio de 2011

Porque nem só de hibiscos são feitas as iscas...

... cedo quando quero.

Ceder.
Até onde ceder num elo ou não.
Até onde descaracterizar-se ou compor-se.

Análise diária.
E desde que me conheço por gente.

Durante muito tempo, cedi sem medir.
Pra constar de situações e realidades.
Fazer parte do todo - como se diz.

Depois, a tomada de consciência.
O porquê de se permitir ou se coobrigar.
A revisão de escolhas.
A releitura de iscas já mordidas.

Hoje - Ah! Os 30! - mordo iscas se quero.
E do alto do estame monadelfo, capto quando quero.
E polinizo se quero.
E - quase sempre - sabendo exatamente pra quê quero.

Quando - e se -, porventura, vier a não mais achar válidos esforços no polinizar, recolho-me.
Nem que isso signifique pólen maturado e desperdiçado.
É o preço que se paga em decidir-se por ser.
Escolher ser.




quinta-feira, 20 de maio de 2010

Autarquia pra quê?

E da Grécia Antiga advém o conceito de autarquia, que significa não precisar ter auxílio de outros homens ou de quaisquer outras entidades exteriores. Esparta era exemplo disso.
Pra um espartano a perfeição era próxima desse conceito: o homem livre era aquele que dominava suas políticas e guerras. Bastava-se.

Trazendo tal premissa pro mundo moderno, vejo que não mudou muito: a massa pensante das grandes metrópoles – da qual faço parte, inclusive - engrossa o cordão dos que acreditam que para ser é preciso bastar-se.
Sim: de fato é… mas… até que ponto a gente não tá levando tudo isso muito ao pé da letra? Até que ponto não desfocamos o conceito e, consequentemente, não criamos mais um monstro moderno?
Segundo o Aurélio, bastar significa ser suficiente.
Pois bem.

Tendo em vista que o que é suficiente pra mim não é para o outro, posso pressupor que o ‘bastar-se’ de cada um é pessoal e intrasferível. Right?
Venho pensando há meses nos conceitos de solidão e autosuficiência e no quanto todas estas questões me incomodam.
E hoje me dei conta de que me incomodam justamente porque eu to tentando ‘bastar’ um buraco num molde que não é o meu.
Tomando o ponto de que como parte da ‘massa pensante’, eu não aceitaria jamais ficar aquém do coletivo, me cobro dia e noite por não saber lidar com a idéia de solidão.
“Se todo mundo consegue, porque é que eu não”?

Simples: todo mundo não sou eu. Ponto.

Acho mesmo é que ‘bastar-se’, assim como tudo na vida, deve ser dosado. E que o mundo moderno fez o favor de deturpar a idéia original.

Um autista, por exemplo, não só sabe lidar com a idéia de solidão, como também a prefere. Caso bastar-se a este nível não fosse nocivo, não precisaríamos mais de estudos na área e o indivíduo acometido pela doença, seria caracterizado como são.
Eu não gosto da solidão. Acho sacal.
O mundo é bem mais divertido quando se pode compartilhá-lo.
Dores, amores, alegrias, tristezas, conceitos, pessoas. Compartilhar é tudo de bom! O coletivo é nosso constituinte!

O mundo moderno nos cobra, a todo momento, dois conceitos: individualidade e autosuficiência. Não tê-los é sinônimo de fracasso. E nisso, concordo em gênero e número: sem estes quesitos, não estamos aptos a fazer escolhas. E num mundo de consumo quase que imediato em todos os campos – sobremaneira, no das idéias – quem não pode escolher, tá na roça: leva o que lhe dão.

Entretanto, tenho revisto conceitos tortos e descoberto que não sou obrigada a gostar da solidão. E que isso nada tem a ver com o fato de ser ou não autosuficiente e tampouco com ter ou não individualidade. Abusadamente, ouso dizer que contestar esse desvio, por si, já caracteriza bravamente minha individualidade.

Sendo assim: caguei pros moldes. #ponto-parágrafo.

E se o mundo assim nos exige um caráter espartano, alerto que nasci ateniense: sinônimo de homem livre, pra mim, é aquele que pensa –filosofa– e questiona –usa de retórica.

E como oratória pressupõe ouvintes: preciso de gente.

domingo, 15 de junho de 2008

Sentir, pensar e escrever: questão de necessidade.


Em janeiro de 2007 criei meu primeiro blog. Sua finalidade era descrever como seria minha viagem à Itália... Pensei em compartilhar com os queridos que aqui ficariam, as minhas visões daquele lugar. Pelos atropelos da viagem, pela poluição visual no My Spaces do MSN, acabei por nunca finalizar minhas peripécias turísticas ali e por abandoná-lo.

No mesmo ano, no final de novembro, no prenúncio do que viria a ser minha vida dali a 6 meses – ou seja, agora – e sabendo que tenho uma necessidade absurda de dizer o que sinto e filosofo, decidi que utilizaria minha URL - o carolinamazzeo.com.br - para este fim. Arrisquei-me como "programadora autodidata" e consegui criar uma cara de "blog" no site, mas por falta de tempo, paciência e paz de espírito, não consegui colocar a ferramenta que incluiria comentários de possíveis visitantes... Como o mais interessante num blog são as discussões, acabei também por abandoná-lo.

Bom, há uns dias estive conversando com uma amiga que me disse: "Porque não cria você também, um blog"?

Ise, cá estou. Não sei muito bem no que dará isso, já que este também corre um risco enorme de ser abandonado no meio do caminho, mas cá estou. Talvez essa chuva dure proporcionalmente a este período instável. Ou não. Vai saber?

Tenho atualizado tanto meu perfil no orcu, que provavelmente os curiosos já nem estão mais dando conta de acompanhar tudo o que ali escrevo... rs. Pensei, então, que Ise tinha razão: se tenho essa necessidade, que use a ferramenta correta.

Num primeiro momento, não gostava de blogs, como já disse em meu primeiro endereço, quando da minha viagem. Achava que esse era um meio irreal de se relacionar e tinha certo preconceito com isso... o medo de passar a me relacionar só pelo escudo da tela do computador... só expor sentimentos e emoções assim... enfim, mas quem me conhece o suficiente, sabe que esta probabilidade é remota: gosto de discussões. Ponto. Tanto no virtual quanto no tête-à-tête. Descobri uma necessidade absurda de muitas vezes ter de transferir para um documento escrito o que me vem à cabeça. Tenho pensado, inclusive, em escrever um livro... rs. Basta saber se teria propriedade para tanto e sobretudo, se outras pessoas estariam interessadas nos meus vômitos literários... rs. O mundo é dos malucos, então poderia ser que rolasse.

Provavelmente acabarei usando esse espaço como um confessionário ou alguma coisa muito parecida... sou movida a sentimentos, logo, me parece óbvio que este seja o grande tema aqui. E, se porventura eu vier a falar de coisas que não se relacionem a sentimentos, podem ter certeza que “estarei movida a”, para colocar o referido assunto em questão.

Enfim, viver é sentimento.
Quem acha o contrário, se ilude.
E como, embora idealista, eu não viva iludida, sinto e falo.
Ter ideais de sentimento é uma coisa.
Ter ilusões de sentimento é outra.
E destas, me abstenho.