domingo, 12 de julho de 2015

Discurso onírico.

— Te amo. 
— Também amo.
— Você sabe que... 
— Sei...
— Pena que duvida. 
— Não duvido. Tô falando que sei.
— Cá... 
— Oi.
— Cá: você é maravilhosa. 
— Eu te gosto um monte também.
— Mas não ama mais... 
— Amo. Mas não é só Amor. Tem um mundo de outros meus sentimentos envolvidos.
— Por exemplo? 
— Admiração, o gostar propriamente dito, carinho. Zêlo. São sutis diferenças. E sou como você: plural. 
— Quero você. 
— Defina 'quero você'.
— Você sente. 
— Sinto, mas não sei definir coisas.
— Como assim?
— Não sei definir coisas. Meu papel ao certo na tua vida, tua perspectiva comigo. O que será daqui pra frente. Teu ciúme. Teu ciúme: o que fazer dele? Como será de fato? Não sei. Não tô prevendo também, mas não sei como será.
— O que significamos nesse dia? O que sentiu?
— Tem coisas não mutáveis nessa parada.

Ancorar, não. 
Aportar, talvez. 

E seguir.



quinta-feira, 18 de junho de 2015

Lobo Bom, o platonicamente aristotélico.

Pra Platão, o Amor Legítimo, aquele puro, deveria ser pautado em Virtude.
"Entendedores" lançaram na roda a ideia de que, sendo assim, o Amor Platônico seria, então, alguma coisa desprovida de desejo. E, tantas vezes, não correspondido.

Sabe nada, Inocente!
Tá morrendo de fome: vá dar aquela saboreada nO Banquete, onde ele trata da pulsão carnal como sendo algo muito natural.

Se souber somar: 1 + 1 = 2. Onde 1' é Amor de Virtude, 1" é desejo sendo inerente à condição humana e 2 é a soma desses fatores.

E, apesar de defender a ideia de que as paixões cegam, dizia também que todo homem apaixonado é poeta.

Aristóteles, cria da Escola Platônica, somou, dizendo que a lei é a razão desprovida de paixão. E que o gatilho de tudo é a paixão.

Trocando em miúdos: daqui do meu foco mirado, dum ângulo de 30°: "é preciso Amor pra poder pulsar".

Ha. Quédizzê.

Mais tarde -de um tanto mais tarde-, inventaram um troço chamado Canção. Que por sua vez, foi dividida em alguns subgrupos, dois deles sendo de Amor e de Amigo.

Basicamente, a Canção de Amor tratava dum Amor Legítimo do Trovador por uma "prenda", cheio de dedos e nuances.
Em contrapartida, a Canção de Amigo era meio Chico Buarque: o cabra assumia um "eu lírico" feminino, numa sofrênça do Amor distante. Acontecia também de alguns textos serem das próprias "prendas" Trovadoras, mas o patriarcado medieval sequer admitiria que mulheres pensassem... compor, então: fora de cogitação e da História oficial da Literatura.

Trovar seria, então, um duelo bom entre satisfação e fracasso. Entre coragem de ser e o medo do não ser.
Entre vida e morte.
Eros e Thanatos em palavras? Talvez?

A real é que, se leis são desprovidas de paixão... não cabe regra no Amor Legítimo: ele é composto das paixões.

Sair da toca talvez seja só uma questão de se questionar sobre quem ganha a luta interna diária nas pessoas: o Lobo Bom ou o Ruim? O que possibilita ou o que limita viver?

Questionários auspiciosos que nos pegam no pulo, essa coisa que pode paralisar.
Rimas fáceis, essa coisa de pulsão de vida.
Canção, essa coisa que evidencia o que a anamnese (do grego "ana": trazer de novo; e "mnesis": memória) psicológica não é capaz de.



Aposto e ganho: a melhor Guerreira Medieval era também a melhor Trovadora.
E as circunstâncias não permitiram que ela fosse constar dos autos do processo histórico.
Aposto também que era perguntadeira.
E apaixonadamente aristotélica.
Amorosamente platônica.
E virtuosamente ela.

E certeza: se chamava Anna.
Que era pra nunca deixar lembranças morrerem.

E sim: com dois Ns.
Que era pra não esquecer de lembrar por dois.

Direto da História que a Literatura nunca contou.

Ou não.







Dia desses me relembraram da parábola dos Lobos.

É essa aqui, ó: http://www.contarhistorias.com.br/2011/04/historia-dois-lobos-dentro-de-mim.html




quinta-feira, 11 de junho de 2015

O Renato

-e mais gente- disse que o sol da manhã é cinza, de tempestade cor de olho castanho.

E ele estava certo.

A manhã humana não é colorida: ela vem nublada, desforme... é assim com todo recém nascido.
À medida que a capacidade motora vai amadurecendo, e que ele consegue fixar o olhar, é que vai começando a perceber coisas além de vultos. Passa, então, a perceber formas.

E cores.

Capacidade motora.
Fixar olhar.
Ver além de vultos.
Perceber formas.

E cores.

Focando a visão, ainda imatura e meio débil, nos movimentos.

Focando.
Nos movimentos.

Isso me leva a crer, então, que sem movimento e necessidade de fixar num ponto pra ver além daquela massa disforme embaçada... talvez todos fôssemos cegos -ou, ao menos, víssemos tudo como uma enorme bolha nublada-: sem treino, sem desenvolvimento.

De qualquer modo, a sobrevivência depende da delimitação espacial: desde os primórdios a gente sabe que é preciso querer ver pra ter noção de onde e pra onde.

É o início de tudo, o início de todo o Nosso Mundo: o primeiro sopro.
E depois o choro.
E na sequência: a tentativa de ver.
E de reconhecer.

Esforço puro, me parece.

E dali em diante, todos os dias serão iguais: tentativa de ver. E reconhecer.
Entre risos de descoberta, choro de dor, sopros, respiros e suspiros.

Todos os dias a gente acorda não tendo mais o tempo que passou... mas... tendo muito tempo. Ainda.
Todos os dias, antes de dormir, lembra e esquece como foi o dia... pra não travar.

Sem movimento, a visão é sempre de um mesmo ângulo... e o bebê, corajoso e esperto, logo percebe que além da grade do berço existe mais coisa.

O quê? Sabe-se lá...

... mas ele vai: não há tempo a perder. É preciso enxergar além dali.

E depois da grade do berço, o tombo.
E no tombo, os primeiros passos.
E nos passos, o andar meio bêbado.
E depois, tropeços.
E arranhões.
E feridas.
E sangue.

Mas ele segue e nem liga: o suor da tentativa é sagrado. Bem mais belo que o amargo do sangue.

E assim, conquista-se caminho.
No movimento.

Não importa muito pra onde: nunca será de dentro do berço mais. E mesmo que queira voltar: já não cabe ali.
Não importa muito como: a trajetória é sempre mais competente pra ensinar a trilhar do que o alcance dos objetos.
Não importa se será necessário retroceder porque esqueceu a blusa e foi: o importante é ir.

Mesmo sabendo do sol cinza.
E da tempestade.

Pode ser que no caminho haja guarda-chuva.
Pode ser que no caminho exista uma mão pra levantar do tombo.
Pode ser que no caminho alguém dê um óculos quando faltar foco.
Pode ser que no caminho... tanta coisa aconteça...

... até que se aprenda, então, a olhar.

Pra frente. Pra fora. Pras pessoas. Pra dentro de si e reconhecer.

Se reconhecer.

De dentro dos olhos castanhos de cor tempestade. E amêndoa.
E também.

Que vêem no escuro. E luz e cor.
E também.


segunda-feira, 9 de março de 2015

O perdão e a culpa.




Isto -o quadro- é um Vladimir Kush.
Dos meus preferidos.
E a letra desta música, especificamente, me diz ao que vem desde que ouvi pela primeira vez.
Alguém, na infinita capacidade associativa humana, juntou as duas coisas numa só. Brilhantemente, aliás.

Essa imagem automaticamente me remete a uma frase do Hesse de que gosto muito:

A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer, precisa destruir um mundo.



Um Mundo.

O futuro do ovo não é muito variável: ou vira ave ou choca.
A condição humana também não é muito diferente disso: ou o homem se liberta ou simplesmente não vive.
A diferença humana tá na consciência de que há um mundo lá fora.

Nossa alma é selvagem.
Nela moram nossos instintos primitivos.
Ela busca ser plena, sem refreios.
A alma é aquilo de mais puro que há de nós em nós mesmos.
A alma não cabe no ovo.

Enquanto se está no ovo, enquanto se está dentro da caverna, observando pela fresta, existe a proteção, mas existe também um bloqueio. Real. Físico. A casca. O muro da Caverna. E em algum momento é preciso romper com isso e ir.
É preciso querer sair do ovo... ainda que tirar as cascas da pele doa.
É preciso seguir em frente... mesmo com medo de cair.
Do contrário: a alma, essa coisa selvagem, choca.

E a partir do momento em que se rompe com o Mito da Caverna -a ignorância- e se tem a consciência de que ir é preciso e ainda assim, teima-se em manter tudo como está e esteve, nasce a culpa.

A Culpa.

A culpa é essa coisa que te assombra como quem aponta a tua capacidade potencial e aquilo que você faz dela. [Ou não faz.]
A culpa é essa coisa que te denuncia quando você sabe que seria capaz de ser melhor e não foi.

O conceito de culpa caminha junto dos conceitos de 'algoz' e 'vítima'. 
Pessoas que se vitimizam, passam uma vida procurando culpados. 
Algozes conscientes se culpam por criarem vítimas mundo afora.

Quando calha da tua tomada de consciência te mostrar que você é seu próprio algoz e que transforma a si mesmo em vítima é que a coisa fica séria: um lado teu te culpa, enquanto o outro berra por socorro.
E nessa hora é que, você, sua própria vítima, sente peninha de si mesmo, se perdoando por... não romper com as amarras e seguir.

Culpa, essa coisa que serve como freio.

Freio este que, quando é social, tem bastante serventia, do contrário, mataríamos por bala de goma, ou roubaríamos pra ter aquilo de que se precisa sem grandes dramas. A culpa, neste caso, é o filtro de até onde se pode ir. No coletivo.

Em contrapartida, quando o freio da culpa é pessoal... vira o autoboicote preferido de quem teima em não sair do ovo e crescer, filtrando, inclusive, até aonde ir. 
E é nessa hora que o processo de se munir de coragem e seguir é quebrado, como se merecedores não fôssemos de seguir adiante: quando uma barreira realmente se coloca entre a gente e aquilo que seria a vida, a covardia se achega, dizendo que aquela barreria ali pode não ser ultrapassada.

E aí vem o medo. E a paralisia.

E paradoxalmente, a culpa tem uma só serventia: impulsionar pra mudança.
Do contrário, é melhor fingir demência e voltar a dormir. Lembrando que dormir, por definição, é repouso e que repousar não é viver, apesar de fazer parte do processo.

Mas, ok: FAZ PARTE do processo, mas não É o processo.
Assim como o ovo ainda não é ave.
É preciso deixar de dormir para se transformar em ave.

Sendo assim, a cada vez que você se perdoa por temer/dormir/não ir, você se conforma com a tua condição. Tanto de algoz, quanto de vítima de si mesmo.

Você vira Vítima da Culpa por ter se dado o Perdão.

"O perdão é o que possibilita o nascimento da culpa".

O perdão pode ser nobre em determinada circunstância, mas... por definição, perdoar é se conformar. 
Quem não se conforma com determinada coisa, não perdoa.

Eu costumo não perdoar. Não perdoo por convicção. Perdoar significa passar por cima e esquecer. Conformar-se.

Perdoar não é o caminho leal. Não acho leal perdoar pessoas.
Lealdade a si e ao mundo é seguir em frente apesar de.
Você faz, você arca. E segue. Porque vale a pena seguir, mesmo que.

Seguir sabendo que toda ida pode possibilitar uma volta.
É preciso mandar embora a culpa -sempre tão pesada- pra que se possa ser impulsionado pela coragem de ir.
É preciso saber que 'tudo se compõe e se decompõe' pra que se possa ir sem medo. E culpa por errar.
É preciso saber que a 'velocidade que emociona é a mesma que mata' e que a vida não te espera ter coragem.
É preciso saber que é possível lidar com o fato de que o 'sorriso antigo vire lágrima barata'. E que o processo de crescimento mora nesse movimento.

Todos os caminhos são passíveis de retorno, menos o 'ignorar'.
Quando uma mente se expande, nunca mais ela retornará ao estado original, disse o cara da Teoria da Relatividade.

Caminhos de ida e volta são relativos. Só não é possível parar. Quando se quer viver, obviamente.
'O automóvel tem de seguir, em algum momento, cego pela estrada iluminada de sol'.
Porque só conhecendo o sol é que se pode lidar com a sombra.

As existências são medidas nas ausências. E vice versa.
Viver é alguma coisa no meio dessa movimentação toda.

Viver é sair da ausência de vida. 
Viver é voar. 
Voar é arrebentar com tudo, é arrancar casca e pele, se preciso for.
Voar é libertar a alma.
Que pretende ser plena.
E o caminho da plenitude tá na permissão dada a esta alma para que viva experiências.
Só as experiências nos fazem vivos. 

É preciso viver pra se estar vivo.
É preciso romper.
É preciso doer.

É preciso não se perdoar e nem se culpar, mas seguir.









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O quadro do Kush se chama "Sunrise by the Ocean", acrílico sobre tela, de 1965.
A letra e música são do Paulinho Moska, O Phodda.
A frase do Hermann Hesse tá no seu "Demian".
O Mito da Caverna é a famosona teoria do Platão.
E o conceito de que uma mente quando se abre, jamais volta ao seu estado original é do Einstein, esse ilustre desconhecido.






quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Com fiar.

Hoje ouvi muito sobre "confiar".
Sempre que dá, falo sobre isso: confiar é "com + fiar".
Quem confia usa fio invisível pra se unir a alguém.

Confiar é eleger: a gente escolhe a quem confiar coisas. Histórias. Sentimentos. Dores. E até mesmo sorrisos.

Daí que quando alguém rompe esse tal fio contigo, significa que tuas coisas, histórias, dores e sorrisos foram banalizados: tanto fizeram. E mais: quem quebra tua confiança te diz "não". Diz de maneira solene que você não merece resguardo.

Em compensação, quem valorizar tudo o quê for muito seu, automaticamente irá inspirar confiança.

Assim sendo, dentro d'uma lógica quase matemática: interesse inspira confiança. E vice versa.

Talvez valha dizer que não é um grande pecado quebrar confiança: é uma escolha. E cada um faz de si o quê quiser: escolhas devem ser respeitadas. Sempre.

A única coisa que não deve ser esquecida é que toda escolha implica em perda: escolher um grão de areia significa abrir mão de todos os demais.

Só crianças querem ter tudo. Adultos escolhem.

E daí que...

... escolher não inspirar confiança, essa cela solitária invisível.



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

E por falar em romance...

-... sabe aquela nossa coisa da bolha?
- Sei... 
- Sabe essa dificuldade em socializar que a gente tem em alguns momentos? 
- Sei. 
- Sabe essa nossa relutância em se admitir vinculado? Eu do meu jeito, você do seu? 
- Sim... 
- Se lembra que eu já tinha te contado que tudo seria fantástico se não fosse a enorme dificuldade dele em se relacionar? 
- Lembro. 
- Então. Escolho a dedo. Consegui achar alguém pior que a gente. Eu tenho a bolha: dá pra estourar. Você, a ostra: tem fresta. Ali existe blindagem. Aquilo é o Caveirão, que me olha e grita "Nunca serão!". 
- Hahahahaha! É. Cê tinha falado que ele era difícil... 
- Verdade! Ninguém entra. Ainda não entendi se ninguém sai: não sei o tamanho do rombo, do trauma. Ainda. Acho. Não sei se ainda mora ali alguém que possa ter causado dano... Não sei. Só sei que, como nós, todo mundo tem passado... E sei que me lembra a gente o tempo todo. E meio que chutando minha cara, esfregando como o mundo reage a essa dificuldade nossa em deixar alguém entrar... 
- Ah. Cê jura? Cê jura que a gente tem dificuldade? -ar irônico. 
- Hahahaha! É. Tá foda. Ainda não decidi muito bem o quê fazer: se uso dinamite correndo o risco do Caveirão estilhaçar no olho, se convenço de maneira sensual -e cúmplice até onde sei- o motorista a abrir a porta e me deixar fazer parte do batalhão ou se saio andando e subo outro morro. Tô pensando em #partiuFaveladaMaré ou #énóisnaperifadeSalvadô ou #vouaprenderaroubarnoPlanalto. Só sei que basta um enter no sistema e pedir transferência pra qualquer lugar do país no trabalho. 
- Mas você se mudaria por isso? 
- Não só por isso, mas também por isso: eu já tinha sede do novo, sede de mim, já tinha essa enorme necessidade de ir pra me achar. Depois do câncer: eu sou do mundo. Não tá bom? Eu vazo e recomeço com outra cor de cabelo. E mudo nome. De Carol passei a Anna. Tô pensando agora em Natasha, que usa salto XV, saia de borracha, curtindo qualquer balaco ilegal ou proibido. 
- Hahahahaha! Seeeeensacionaaaaaaaaallll!! 
- Eu sei que janeiro tá aí. Tem inúmeras possibilidades. Ir. Ficar. Esperar a Pós acabar. Ou, ao menos, o contrato de aluguel... Não sei. 
- É uma escolha. 
- Eu sei. 
- "O quê te dói menos?"... 
- Nossas eternas perguntas, né? 
- É. 
- É sempre isso."O quê te dói menos?", "Perder você vai. Precisa só saber onde perde menos." e o fatal "Cê quer ser feliz ou ter razão?"...
- Ter razão. Sempre. Trabalhamos com a razão. Gostamos. -ele usa primeira do plural só de palhaçada, só pra fazer graça quando fala de si mesmo. 
- Hahahahaha! 
- Carolina: aonde cê vai perder menos? 
- Desta vez... eu não sei. 








Disse ela ao Melhor Amigo, enquanto finalizavam um "mil folhas" e a água com gás, gelo e limão. 
Como sempre. 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

... como num refrão...

E olha de longe. Busca na memória: "já te vi em algum lugar, garota... onde?'...

Pensa rápido. 
Aborda.

- Oi... er... Anna?
- Não: Natasha.



domingo, 9 de novembro de 2014

O sol de ver.

Claro e escuro.

Taí uma parceria indissolúvel. 
Um não é sem o outro.

É preciso luz pra que se possa enxergar ao redor. Acho. 
É preciso sombra pra que a vida aprume. Acho.

Dizem que há um lugar neste mundão de Meodeos onde os raios do sol não chegam. 
E nesse tal mundo abissal, os peixes são cegos.

Dizem que é porque nessa parada de seleção natural, essa coisa que dizem que é o estudo do Darwin, os olhos deles não teriam função pela falta de luz. Sendo assim, a natureza, essa coisa estranha, já traz esses tais bichos escamados sem visão.

Assim talvez seja com a vida da gente. 
A gente sempre conhece o escuro. Sempre. 
Mas nem sempre se dá conta do claro porque é muito fácil se adaptar ao que é bom. O claro passa desapercebido. 
A nossa parte clara é muito fácil de se lidar. 
E o ruim... Ah. Esse incomoda. Um monte. 
E justamente por isso que a gente foge do próprio escuro. 
Mas é só nele que a gente aprende. 
É só quando alguma coisa te tira do prumo que você consegue fazer algo a respeito daquilo que te dói.

E isso é a grande sacada da vida: não achar que as dificuldades -todas- são pro mal. 
Inclusive as emocionais: será nela que a gente mais irá crescer. 
As pessoas fingem correr atrás de muita coisa, mas tudo o quê há pra ser vivido neste mundo só faz sentido porque, ao final de tudo, haverá Amor. 
Inclusive o próprio, já que dele vem o Legítimo Amor que a gente pode sentir pelos outros.

Eu não tenho muita certeza de nada nesta vida, mas... me parece que... já que a gente não nasceu lá naquele lugar estranho aonde a luz não entra... a gente precisa usar bastante os olhos. E a natureza, essa coisa estranha, nos deu dois. 
Capazes, inclusive, de enxergar em cores. 
E capazes de nos fazer incomodar com a sombra por um só motivo: a gente reconhece a luz.

Se não fosse o sol, talvez a gente vivesse num enorme mundo abissal. 
Ou, talvez, a gente sequer existisse. 
Não dá pra saber.

O quê dá pra saber é uma coisa só: a cegueira às vezes vira uma repetição de comportamento vazio. Porque lá no fundo do nosso imenso oceano, as águas estão paradas. 
E não nos estremecem. 
É preciso coragem pra sair da zona de conforto e nadar até a superfície pra enxergar o mundo.

E pra olhar pro lado. 
E reconhecer o quê brilha. 
E aceitar que, algumas vezes, pra aquecer e dar cor, o sol queima. 

Mas vai também -automaticamente- te lembrar que você ainda tá vivo. 
Pulsando.




Que todos os dias a gente possa saber aproveitar o sol. E o quê ele nos mostra.

Mesmo que arda. 



quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Nome: Domitila.

Domitila.
É este meu nome.


Sou das paixões.
Tudo deve ser apaixonante. E apaixonado.
Pra mim.

Me encanto dos detalhes.
Os detalhes são os carinhos cotidianos na alma.
Os detalhes fazem as grandes paixões.

Sou dos amores.
O amor deve estar em todo lugar.
Pra mim.
Rua.
Espada nua.
Boia no céu imensa e amarela.
Me encanto do intenso.
O intenso compõe os grandes amores.
O intenso preenche dando calor à alma.
Tão redonda, a lua.
Como flutua...
Vem navegando o azul do firmamento.
Sou dos amores apaixonados.
Aqueles que trazem fogo.
Aqueles que trazem certeza.

Escuta agora a canção que eu fiz
pra te esquecer!
Certeza de Amor.
Do real.
Do tátil.
Acorda, Amor!
Que eu sei que embaixo desta neve

mora um coração...
Cultivo flores. Além de conchas.
Cultivo cheiros. Além de gestos.
Cultivo lembranças. Além de palavras.

Cultivo.
Passo uma vida cultivando.

No beiral da minha janela há uma floreira.

Ali é parte de mim.
Me dá tua mão!
O teu desejo é sempre o meu desejo.
Vem: me exorciza!
Hibiscos.
Acácias.

Amores Perfeitos.

Marias Sem Vergonhas.

Matei.



Dá-me tua boca!



Vieram sem querer e... eram lindas. 
Lindas!
Mas tomaram o vaso todo.
Eram viçosas.
Mas apagavam a cor das demais.
Eram alegres.
Mas o carnaval era só delas.
Eram petulantes.
Mas não permitiam que nada mais fosse além delas.

Matei.

Plantei sementes no lugar.
Vem me dar um beijo.
E um raio de sol...


Flores de Lótus.

Torço para que tão logo cresçam.
E perfumem o ar.




Eram Marias Sem Vergonhas.
Cores de cereja.
Minha cor preferida.

Marias Sem Vergonhas.

Matei.
Por ora.
Como um brilhante que, partindo a luz,
explode em sete cores.

Revelando então os sete mil amores
que eu guardei somente pra te dar...





domingo, 27 de julho de 2014

Faz de conta que eu não sei que to feliz! :D

A coisa mais esquisita do mundo é receber a notícia que acabei de ter: tem 50 minutos que eu não paro de chorar.
De emoção.

É a sensação de que... o tempo não volta.
Mas deixa marcas pra sempre.

É bom. E assustador. E revigorante. E diferente.
E sei lá mais o quê.

Eu só sei que Ela não sabe que eu sei, mas... Ela tá grávida.

Eu vejo a minha infância passar pela minha frente...
E vejo as risadas.
E a gente medindo o tamanho do cabelo.
E a gente brigando pelo sofá da minha Tia, Mãe dEla.
E a gente rindo dentro do carro do meu Tio, Pai dEla, enquanto ele corre e faz zigue-zague na rua.
E a gente indo à pé no dentistra dEla.
E a gente indo no shopping.
E a gente assistindo o Carnaval na sala da casa dEla, jogadas no tapete.
E a gente indo fazer o Vestibular das nossas vidas.
E a gente se abraçando sempre que.

A Gente. Nós.

Ela.
Que dividiu comigo até a mamadeira.
Ela.
Que fazia castelo de areia comigo.
Ela.
Que quase me fez apanhar no colégio quando eu bati no irmão mais novo do menino mais bonito -e bravo- da minha sala: moleque tava importunando: levantei pelo colarinho: "Você não mexe com ela: não sabe do quê sou capaz!".
Ela.
Que eu vi crescer, com apenas um ano de diferença comigo.
Ela.
Que era minha companhia nas tardes depois do colégio nos sofás da Vó.
Ela.
Que sempre foi tão preocupada comigo.
Ela.
Que me admirou a vida inteira. Eu sei.
Ela.
Que sempre foi o quê é pra mim: meu Xodó.

Foi -é!- uma vida de Amor.
E zelo.
E respeito.
E admiração.

E tudo o mais que a gente sente sem alardear muito porque sente demais e é tão teu que cê tem medo que roubem. :)

Acho que preciso de um lençol: choro de não conseguir escrever! HAHAHA!

- Ela não quer que te conte porque quer contar quando você vier pra SP, mas... prepara uma roupinha de bebê: Ela tá grávida!

Ainda bem que Esta -A Mais Nova- sempre foi minha parceira na hora da notícia ruim e da boa: não chegarei em SP de mãos abanando. HAHAHAHA!

HA!
HA!
HA!

É uma felicidade que não tem tamanho.
Sou Tia, Gente! :D
To velha. :/

HAHAHAHA!
Eu sequer sei o quê dizer!
Eu queria poder ligar lá e dizer tudo o quê to sentindo agora, mas... eu tenho de fingir que não sei! HAHAHAHA!

Vida difícil essa. HAHAHA!




Mas... essa coisa do não contar só denota o tamanho do quê somos Nós: Você sabe o quê te saber significa pra mim.
A hora que eu puder dizer, Prirmã: que Você tenha certeza de que esta é das notícias mais lindas da minha vida.

Preparar roupinha é o trivial com batatas. É o quê todo mundo fará. Qualquer um pode fazer isso.

Aqui a oferta é outra.
Aqui, quem vier só irá ocupar um lugar que sempre esteve aqui: "espaço reservado para a prole dEla".
Só tava esperando o dia D.
Esperando a hora em que eu trocaria a placa pelos nomes.
É Amor de Continuidade.

Acabei de recolher a placa.

Ow, Da Barriga: pode vir: tá tudo pronto.

:)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Curta [a] metragem.

Eu deveria e precisaria dormir, mas tem alguns cliques que acontecem sem hora.
Sem razão de ser.
E com e por toda razão do mundo.

Meu Mundo.

E num desses monólogos internos que faço antes de chegar o sono, me ocorreu que a gente tem uma visão equivocada de algumas coisas.

Pensei sobre distância.

Estar perto é muito mais que estar fisicamente perto.
Fisicamente não quer dizer grande coisa, se querem saber...

Eu costumo estar perto sem estar ali.
De alguns elos, bem verdade.
Aqueles que observo na distância.

Distância esta que cabe nalguma coisa muito próxima de respeito acerca de limites. Mais ou menos como quando você conversa com alguém frente a frente e tomando conta dos sutis 45 centímetros de distância máxima 'permitida' entre pessoas que têm intimidade. E mínima com quem não tem.

Varia de 0 a 45 pra grandes elos.

Eu descobri que o ideal é manter, na maior parte do tempo, os tais 45 centímetros. Isso permite mobilidade entre emissor e receptor da mensagem: se um dos dois espirrar, não chove no outro.

E eu descobri que deixar espaço é permitir que o outro se aprochegue. E... pouca coisa nesta vida é mais doce que se ter certeza na vida de alguém...

O se aprochegar denota valor. Coisa mais festiva! E necessária.

- Ok. Só queria saber se leu eu te amano. Kkk.
- Tô leno. Tô sentino. Tô gostano. Tô retribuíno.

Que a vida da gente sempre possa ser isso.
Esse aprochegar em metragem curta.
Tecido como num curta metragem amador.
Aqueles de faculdade de cinema.
Feito com mais de um par de mãos.
Num auxílio recíproco.
E que permite erros: viram aprendizagem.

E que as histórias possam ser suaves como filme em boa companhia num domingo à tarde.

:)




quinta-feira, 3 de julho de 2014

Rosa. Verde. Carmim.

Curiosamente, quando eu era pequena, minhas cores prediletas eram o rosa e o verde.
Todos os desenhos só tinham sentido -pra mim- se houvesse um traço na roupa, uma flor, um mato, uma parede... qualquer coisa, com as duas cores.

E não bastava uma delas: deveria ser as duas.

De acordo com a Psicologia das Cores, o rosa simboliza -dentre tantas coisas- o Amor de Acolhimento.
O verde, por sua vez -também dentre tantos significados- simboliza o Desenvolvimento Pueril.

Claro que isso foi parar nas Sessões de Terapia. Quédizzê.

Desde muito pequena, sou das cores fora da palheta comum. [Representa?].
Não era qualquer rosa: era 'choque'.
Não era qualquer verde: era 'piscina'.

Que hoje, chamo de cereja -ou magenta- e turquesa.

E mal sabia eu que isso me definiria.
Psicologicamente.
Filosoficamente.
Iconicamente.

A Flor de Cerejeira simboliza o Amor.
A Beleza Feminina.

Turquesa -a Pedra Turca- é vista desde sempre como Amuleto da Sorte.
Protege quem a carrega.

Eu amo feito flor.
Com espinhos.
Com cheiro.
Com beleza.
Eu protejo feito pedra.
Com dureza.
Com base.
Com frieza.

Mais velha -e bem mais velha... hahaha!-, comecei a dar vazão aos tons de vermelho queimado, terracota, alaranjados e variações de cores quentes.

Carmim.

Há pouco fiz uma montagem com duas fotos: dois pores-de-sol. 
Que guardo comigo.
Que são 'Meus'.
Que são 'Eu'.

São.
Em mim.

As cores falam por si.








sexta-feira, 25 de abril de 2014

Ela era. [Ou: parafraseando Guima].

Hey, Mona Pedra!
[São Pedro, para os 'íntimos': a bicha que manda chuva quando mulher quer botar a bunda de fora no verão.]

Permita o sol porque tá entrando a festeira de 'duas peças' pra aproveitar o fim da temporada.

Abra teus portões!
Prepare tuas bexigas!
Abra lugar no teu salão: tá entrando a dançarina.

Chame São João e acenda a fogueira: ela fatalmente a pulará de calça branca de linho.

Traga São Jorge e sua espada: ela é boa no riscado!

Traga suas cervejas: ela nasceu pra boemia!
E a comida bem feita: ela garante!

Era mineira.
Dizia que mineiro é baiano cansado.
Talvez não tivesse a exata medida de como era 'nordestina' no ser:

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." -diria Guimarães.

Ela tinha.

Nunca foi boa.
Era de pavio curto, fogo na venta e objetividade latente.

Nunca foi má.
Era humana. Demasiadamente humana. O quê garante o direito a ser errante.

Era alegre e cheia de vida.
Era festeira: adorava uma cerveja!
Era boa de forno e fogão que era danado!
Era radical nas próprias convicções.
Era não muito competente Mãe: deixou lacunas. Quem não deixa?
Era uma Avó às avessas: nada de bolinho de chuva e/ou vestidinhos de botões na frente.
Era do palavrão.
Era da voz alta.
Era do cabelo loiro platinado.
Era da vaidade.

Era.
Nos deixou.

Deixou um marido, três filhas e cinco netos. E basta.

Nos deixou, mas não sem lutar.

"Se tiver de sofrer, que seja com dignidade, como gente grande." -ela dizia.

Foi hoje.
Se foi.
Se foi no meio de um 'já não era sem tempo': dor. Muita.

"Vou-me embora pra Pasárgada. Lá sou amiga do Rei." -disse recentemente, há pouco mais de 48h.

Talvez haja um outro plano.
Talvez haja um passo de cura.
Talvez.

Talvez não.

E se 'sim' ou 'não': pouco importa.

Ela me ensinou a andar.
Motoramente falando.
Pouca coisa pode ser mais ilustrativa pra evidenciar o quê ela me foi, de certo modo.
E tendo me ensinado a andar, me tornando decentemente 'bípede', direcionou o caminho: medo sim, covardia não.

Eu nunca vi esta Mulher -quase da gota serena- esmorecer.
Eu nunca a vi titubear perante uma adversidade.

Sangue no olho e vento.
Muito vento.

Ela era.
E era bastante coisa.

Fato é que continuará sendo.
Pra sempre.
No de dentro.

E que siga o caminho.
Existente ou não.
Certeiro ou não.

Acreditava num acolá.
Talvez um pouco diferente do quê de fato é. Ou não.

Que seja como ela pretendia ou ainda melhor: ela merece.



"Oh, Meu Pai do Céu: limpe tudo aí!
Vai chegar a Rainha precisando dormir.
Quando ela chegar, tu me faça um favor: dê um Banto a ela, que ela me benze aonde eu for."


E que seja.


:)







quinta-feira, 3 de abril de 2014

Microcoisas.

A cabeça da gente é mesmo mar sem fim...

Uma frase.
Um sorriso.
Pequenas coisas do cotidiano.
Lembrança-flash. Sabe? Aquela que é uma virada de rosto X de alguém querido, a imagem de uma mão, o franzir da testa, o canto de uma sala, a dobra de página dum livro.
Mote pra turbilhões variados.

E acho que a cabeça de quem sempre teve um mundo à parte tem ainda mais compartimentos: filhos únicos.

Dia desses um Amigo postou na terra de ninguém chamada Facebook: "Sou filho único, cresci sozinho. A vantagem? Sei brincar sozinho, vejo filmes sozinho, vou ao mercado sozinho, cozinho pra mim mesmo, meu dia não depende de ninguém e eu consigo ser feliz só comigo".

Eu diria ainda mais: o mundo particular do filho único é intransponível.
Eu tenho essa sensação todos os dias, quando me olho no espelho.

A gente guarda com a gente nossas microcoisas.
Nossas pequenas partículas cotidianas.
Por mais absurdo que possa parecer pra alguém que sabidamente respira gente, há coisas que são minhas.
E só minhas.

Difícil é chegar numa certa idade e descobrir que parte da sua dificuldade em ser na primeira juventude foi mesmo não se dar conta do tamanho da própria necessidade de individualidade: achava normal dividir tudo, o todo.
Gente! Que coisa mais longe de mim no hoje...

Hoje olho com certa comoção quem tem necessidade de 'estar com' o tempo todo... eu não consigo conceber...

Eu gosto do 'meu'.
Gosto de olhar coisas, pessoas, lugares e saber que... ninguém tem a mais remota ideia do quê to pensando...
... por vezes nem eu sei o quê to pensando, bem verdade! Hahaha!

Essas microcoisas nos compõem.
E partilhar isso o tempo todo, ter -nem que seja com um só alguém- de se dizer nos detalhes de cada coisa é quase se profanar: nossos pequenos mistérios são sagrados.
E antes de mais nada, eles precisam ser conhecidos por nós mesmos: não há como se dizer quando você não sabe sequer começar a fazer...

Bem verdade: a gente não é ilha.
Algumas microcoisas são feitas por -pelo menos- duas partes... e talvez sejam estas ainda mais sagradas: dividir o micro-partilhado é não dar ao outro o direito do anonimato.
É não permitir que a outra parte tenha o direito de... guardar suas microcoisas. Também.

Precisei de muita terapia pra captar o quanto isso define pessoa.
Não: Pessoa. Indivíduo.

Além de toda a necessidade de ser/estar, há ainda um conceito muito importante a ser considerado: vulnerabilidade.
É preciso resguardar os pequenos detalhes justamente pra que não caiam no lugar comum alheio: nem todo mundo vai dar o devido valor ao 'teu micro'. Por vezes os teus 'pequenos detalhes' são banalizados por quem tem outros 'pequenos detalhes': as pessoas não são preparadas pras diferenças. Infelizmente.

É preciso resguardar-se na própria 'sutileza'.
Antes que se aceite ser engolido ainda mais por um sistema que gera números e pessoas em série.
Partilhar de maneira patológica te tira o direito de deixar de ser estatística: você partilha, não é mais seu, passa a ser coletivo e aí: tira a legitimidade do 'eu'.

O teu turbilhão é individual.
Estrelas explodem em micropartículas.
Pra que se derrame detalhes pela vida é preciso ter microcoisas.
A divisão total dos detalhes é quase cissiparidade, criando uma só unidade.
Unidades tendem a ser estáveis.
Não há como 'explodir' a 'estabilidade'. Conceitos excludentes.
Pra que se possa distribuir ao mundo os efeitos já revistos das próprias microcoisas que compõem o seu próprio macro é preciso ser propenso a explosões controladas: elas geram energia.

Taí: é preciso resguardar o micro pra transitar no macro.
Em definitivo.

Por questão simples e pura de sobrevivência.

Acho.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Pra você que faz ela sofrer: ME AME.

Daí que a gente vive ciclos.
Nós, Mulheres.
Todo tempo.
Todos os meses.
Todos os dias.
Todos os anos.
E a gente se encontra e se esbarra no meio dos caminhos [e descaminhos].

Neste momento eu não sei precisar quantas das minhas Amigas estão apaixonadas.
E nestas horas, de paixonite aguda, a gente vira adolescente.

É.
A gente vira.
A gente continua a ser, na verdade.

Tanto quanto você, O Pseudo Cafajeste.

Sabe por que pseudo? Porque no fundo você é um CUZÃO.

Você corre de chuva pra não se molhar.
Você tem medo de ter coceira com perfume.
Você não toma sorvete pra não ter febre.

E Ela, A Minha Linda Amiga, que te faz suar, que te dá coisinha com o cheiro que exala e que te deixa arder... TUDOJUNTOMISTURADO... é o sinônimo do pânico na noite. É a Filha do Demônio.

E sim: Ela é.
E você foge dEla como o Capeta da água benta porque sabe que Ela é o Pecado Mais Doce do Mundo.

Você dança feliz, apaixonado, mas de luz apagada que é pra não ser visto por si mesmo no reflexo do espelho: vai que tu te apaixona de si mesmo?
Você finge que tá nem aí porque, no fundo, é mais fácil assim.
Você titubeia por medo de envolvimento.

E é nessa hora, na hora que o teu medo faz Ela estremecer que... que entram as... Melhores Amigas dEla.

As Temidas.
As Malditas.
Aquelas que tu quer ver pelas costas.
Aquelas que dificultam o traquejo pouco seguro que você tem.

Aquelas que... bom: é aí que entro Eu.
Euzinha aqui.

E sim: chupessamangacaçúcar, Gato.

Você me teme porque sabe que uma palavra minha e... BOOOOOOOM!
Castelo de areia perde ao menos uma torre.

Sim. Perde.
Perde porque quem tá de fora vê melhor até onde vai a coragem ou a falta dela.

E olha.
Eu não faço isso porque te deteste.
Eu faço porque a amo.
Ao invés de me temer e canetar, tu deveria me amar.
Porque se tu tem um approach real com ela, se é verdadeiro ao menos o zelo: eu to cumprindo meu papel.
Eu to zelando a Galega.

E... se tu realmente se interessa pelo bem estar dela: TU DEVERIA ME AGRADECER POR NÃO TER CERTEZA DO QUÊ É VOCÊ.
Deveria achar leeendo que Ela tá cercada das Melhores Escudeiras.
Deveria achar riqueza que a gente não joga a Diva na cova com os leões: enquanto tu num me provar que é coração de leão, mas felino dócil quando quiser: Eu não vou jogar Ela na tua rede de mão beijada: Eu vou aqui dentro do meu elo com Ela, deixá-la no viveiro marinho, de onde Ela irá ver o mar, nadar, mas Tubarão não vai levar. Que é só pra garantir integridade... vai que.

Depois, quem secará as lágrimas serei Eu.
E ó: detesto retrabalho. Quédizzê.

Fato é que o cara bem resolvido emocionalmente não teme ou tem pinimba com as melhores amigas das meninas-mulher que eles tão 'pegando': entendem que este movimento é natural.
Assim como pra eles é natural dividir com o melhor amigo como ela é boazuda e como foi bom estar com ela.
A primeira coisa que o cara vai fazer quando come a gostosa cobiçada é ir lá no mais querido e dizer: "Comi".
E a gente sabe que é assim.
A gente tem certeza, na verdade.
A gente sabe, inclusive, que, quando o envolvimento depois do 'comi' passa ser real... é aí que cêis vão ponderar TODOS os fatores. E temer.
E vão achar um mundo de defeito na gente que é pra justificar a falta de coragem em sofrer depois.
Enfim.

Claro que há quem pague pra ver e é por isso que tem tanta história feliz neste mundo.
Mas há quem não pague.
Por medo.
Por culpa.
Por descaminho.
Por desescolha.
Por N fatores que não vêm ao caso.

O quê vem ao caso aqui é uma coisa só: se você gosta da Cabocla Delícia tanto quanto acha que... ME AME.

Porque Eu sou exatamente isso que você teme na Vida Dela.
E quero ser.
E serei.
E e você que durma com este barulho, não Eu!

E sabe por quê?
Sabe mesmo por quê?

Porque Eu só sou o quê Ela é na exata medida pra mim: Eu também sangro, Eu também tenho quem me defenda.
E no corporativismo feminino: é assim que funciona.
A gente se aparta..
A gente se aninha porque quando tudo rui, é ali que a gente guarda parte dos nossos corações destruídos: a gente corta um pedaço e bota na mão das Melhores Amigas... enquanto um pedaço cicatriza, o outro continua batendo aqui dentro.
Vocês nunca irão entender como funciona o Mundo Feminino neste quesito: isso é muito nosso.
Isso é muito de Alma Feminina.
Vocês irão afogar vossas dores em coletividade também, mas no oba-oba. E acho mesmo muito produtivo.
Acho mesmo que faz parte da cena.
E acho muito triste o cara que não tem mais outros tantos caras pra tirar ele de casa, da fossa e jogar ele de volta na vida, na pegação, da curtição: faz parte do jogo!

Mas aqui: da mesma maneira que o jogo de vocês têm regras... o nosso também tem.

O caminho pode ser suave.
Eu realmente torço pra que seja, na verdade!
Daqui, eu quero muito que dê certo! Que Vocês dêem certo!

Mas... se me quer aliada, só é preciso uma coisa: ME CONVENÇA.

Assim.
Simples.
E nem dói, falaê?




quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O 3 dos 30.

E hoje nós 3 vamos dormir chorando.

Tristeza?
Não propriamente.

A gente chora o Inevitável.
A gente chora o Aprendizado.
A gente chora a Liberdade.
A gente chora a Parceria.
A gente chora a Amizade.

Hoje a gente tá indo dormir como nunca fomos nestes 5 anos de amizade: de Almas Entrelaçadas.
É inacreditável como coisas que parecem "encontradas" na verdade "nos encontram".

Decidimos fazer uma tatuagem coletiva semana passada, na madrugada de terça pra quarta feira.
No sábado, já estávamos no estúdio.

No dia, eu escrevi um texto na nossa foto:

[Daí que Carolina foi estudar o símbolo que a gente escolheu por identificação visual: três folhas, três somos nós. E descobriu que uma das muitas simbologias do Trevo diz que uma folha significa Amor, a outra Esperança e a outra, Fé. Quando acontece uma quarta folha, Sorte. Daí o significado do Trevo de Quatro Folhas.
Pois bem.
Fez todo sentido do Mundo.
Carolina é a Fé em pessoa.
Giselle, o Amor. No mais doce grau.
E Esperança é uma definição em mim.
E de repente, entendi porque a gente consegue ser tão diferente e ainda assim, unidade. Amo. Muito.]

Hoje, Dia das Bruxas, eu olho pro meu pulso direito e vejo um Trevo Celta.
E que nos representa. E de repente. Assim. Sem ter sido chamado.

Carolina descobriu que Saint Patrick, patrono da Irlanda, utilizou a simbologia do "Shamrock" -'Planta Jovem de Três Folhas' em gaélico- pra explicar a Santíssima Trindade aos Celtas, num movimento de convencimento à crença cristã: Pai, Filho e Espírito Santo em formatos idênticos e presos a um único caule.

Planta. Nascimento.
Jovem. O quê somos, de fato.
Três folhas. A unidade.

Pros Celtas, o #3 tinha peso na simbologia: representava corpo, mente e espírito, na Tríade Sagrada.

Corpo. Amor.
Mente. Fé.
Espírito. Esperança.

Fui buscar mais informações sobre.

A astrologia diz que quem nasce sob o #3 ama a vida, as artes, as cores, a comunicação em geral e o Feng Shui diz que quem quer ser feliz, tem de morar numa casa #3: fatalmente será a mais festeira da rua! Pessoas, cores, sentimentos.
É isso o quê acontece sempre que a gente se junta. Desde sempre.

A gente se via bem menos... atribulações cotidianas, o compasso destoante do dia a dia, os compromissos, as urgências acadêmicas, os horários nem sempre concomitantes de trabalho.
Isso nos dificultava.

Até que... se faz 30. [Ou variações dentro destes... *risos*]
E tudo passa a ser relativizado dentro da gente.
Dentro do Feminino de Ser.

Horários a gente passa a adaptar pra que se possa ser.
Prioridades nas obrigações pra que se possa programar.
Escolhas cotidianas pra que seja possível se encontrar.

Se encontrar.
Encontrar-se.
Reflexivo.

E... até que se faz 30.
E a maturidade bate à porta.
E pede escolhas pessoais.
Emocionais.
Filosóficas.
Práticas.

E bota em xeque toda uma vida. Três, no caso.

Pois bem.
Eu já vinha neste processo, daqui, dos meus já 33 -olhaê o número sagrado, Minha Gente!!
E recebi docemente Giselle, nestes 31. Nas dúvidas, anseios, mudanças e tudo aquilo que acontece neste marco que sim... é quase cósmico.
E agora, juntas, a gente dá as mãos à Carolina: na iminência dos 30.

É simbólico.
É simbiótico, talvez.

Talvez não seja por acaso que π [pi] valha 3,1416 e não 'outro número',1416...
Dizem que o símbolo do Infinito é um 8. Pode ser, mas depende do 'olho de quem vê': talvez eu prefira acreditar que são dois números 3, olhando um para o outro.
Talvez também não seja por acaso que a Proporção Áurea esteja sempre balizada por triângulos: são 3 os seus lados.
Alguns estudos afirmam que Cristo morreu aos 33 anos.
São 3 os princípios maçônicos: liberdade, fraternidade e igualdade.
Brahma, Shiva e Visnhu compõem a divina trindade Hindu.
No Egito, a trindade é composta por Hórus, Ísis e Ósiris.
Na Cabala: Kether, Chokmah e Binah.
As famílias são feitas de pai, mãe, filho.
As etapas alquímicas: 'nigredo' -a fase 'negra', de ignorância e necessidade de renovação: a morte espiritual-; 'albedo' -a fase 'alba', da tomada de consciência: a purificação-; e 'rubedo' -a fase 'rubra', do estabelecimento da consciência definitiva: a iluminação.
No Tarô, o Arcano Maior simbolizado pelo #3 é a Imperatriz: quando surge num jogo, indica que nova fase está prestes a começar. E quase sempre, ligada ao campo terreno: uma criança, um novo emprego, um casamento. É a libertação e liberação da criatividade instintiva. É a Grande Mãe -a Terra- abençoando vidas.

E... interessantíssimo: na mitologia grega, as Moiras eram 3 irmãs que detinham o poder dos fios condutores da Vida, decidindo os destinos de mortais e imortais. Pra tanto, elas utilizavam a Roda da Fortuna -alá a sorte de novo!- pra tecer os tais fios.

Láquesis, Cloto, Átropos: nesta ordem.
Cloto ['fiar' em grego] era responsável por tecer o fio.
Láquesis ['sortear' em grego] puxava e enrolava o fio.
Átropos ['afastar' em grego] tinha a incumbência de cortar o fio.

São quase sempre representadas por figuras lúgubres, num semblante sombrio, fazendo jus ao pesado ofício.

Corpo. Amor. Tecer.
Mente. Fé. Fiar.
Espírito. Esperança. Afastar.

O Amor que tece, dando corpo aos sentimentos nobres, à força motriz do Id.
A Fé fiada numa mente centrada, catalizando coisas de maneira racional, sem perder iluminação no processo do Superego.
A Esperança tirada da Caixa de Pandora quando do enfrentamento do Ego, transcendendo rupturas.

Acho mesmo que esta definição nos resume: disto é composto nosso tripé.
Da melhor e mais abrangente maneira possível.


O Três.
Que define tanta coisa.

O Três, que de repente nos faz olhar caleidoscopicamente uma à outra.
E nesta relação espelhada, a gente entende o movimento do mundo.
Dum mundo paralelo muito nosso.
Individual e coletivamente.

Vidas paralelas.
Existências inexatas pela simples escolha de ser mutante.

"Você precisa de terapia."

Eu já faço. E ouvi isto por uma vida de algumas pessoas, como se definir tempo fosse direito e dever de quem quer que fosse/seja extra mim.
Giselle ouviu isso a caminho do já escolhido divã.
Carolina foi hoje rotulada a. Como se isto já não fosse premissa.

Daqui dos meus já 33... acho mesmo é que O Mundo precisa de terapia.

Porque gente inteira se admite e se autoanalisa.
E... na impossibilidade de dar conta, abre o catálogo do Convênio Médico e busca um profissional gabaritado a.

Daqui dos 'Quase 30', a gente se vê muito preocupada em ser melhor.
Em vigiar melhor.
Em adaptar melhor.
Em consumir melhor.
Em Amar melhor.
Em chorar pelo melhor.
Em acreditar no melhor.
Em Viver melhor.

E que bom que neste elo triangular a gente se aparta nas diferenças usando as semelhanças: Amor, Parceria & Caráter.

Infelizmente, O Mundo tá repleto de Miséria Emocional.
E talvez a tríade que a permeie esta 'falta de' seja composta por Descrença, Arrogância & Ganância.

Miséria.
Fome.
Sede.
Frio.

Fome de quê?
Sede de quê?
Frio em quem?

A primeira manifestação da Japa Íntegra comigo foi o mais honesto abraço corporativo que já recebi.
A primeira manifestação da Mangázinho comigo foi o olhar mais desarmado que já pude conhecer em ambiente de trabalho.

Dizem que a gente é o quê a gente come.
E eu descobri que... banquete mesmo é aquele que mata fome emocional.
E vou dizer: eu adoro comida japonesa.

É Amor de Oriente.
Sereno.
Paciente.
Constante.

É Amor Dharma que segura Efeito Karma.

Que sorte a nossa.
E nem foi preciso a quarta folha no trevo...




segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Elos elásticos.

Talvez os relacionamentos -Amor, Amigo, Família- sejam interligados por uma espécie de Fio elástico invisível, mas que tá ali.

A elasticidade talvez seja aquilo que permita pessoas irem e voltarem.
O quê significa que o elo pode ser lindo, mas mesmo que se amarre com o melhor dos cetins: só vai funcionar se tiver elastano.

Dependendo da tensão, o tal fio vai durar mais ou menos.

Algumas vezes, podem se partir em dois, ou em três. Ou mais. E ainda assim, permitirem emenda: vai depender da folga entre um corte e outro.

Por outras vezes, a tensão é tão grande que acaba puindo. Até que, numa destas tensões, dependendo da fisgada no fio, ele se desfaz pra não mais.

Há ainda fios sem tensão alguma, e sendo assim: não há pontos. Não tem costura que se faça sem tensão. Fica tudo embolado e você acaba tendo que tirar dali a linha.

E há fios e fios. E tantas vezes, você oferta teu melhor fio. O mais bonito. Aquele que você usa pra fiar as coisas pra si mesmo.
E... ao invés de um bordado, os elos o usam pra cerzir...
E tudo bem, já que qualquer tipo de oferta só vai ser validada se puder cumprir com a demanda: teu pano tá esgarçandinho? Tó: usa esse meu fio aqui e remenda.

O quê me incomoda é quando o teu melhor fio serve SÓ de remenda.

Já usaram calça cerzida?
O pano perde a flexibilidade.
Fica endurecido, pouco se moldando no corpo.
E mais: te amarra, fica meio pesado.

Não dá pra viver de remendo.
Não dá pra passar a vida remendando vidas.

Excessos nunca são benvindos.

E quando, de repente, você se dá conta do tamanho da amarra que criou, talvez seja a hora de procurar nas gavetas aquilo que, se a gente não souber manusear, se fere:


A Tesoura.



terça-feira, 1 de outubro de 2013

Eu já tive 16.

Eu já tive 16.
Eu queria sair de SP, aprender inglês ou francês e morar no Canadá. Eu deveria saber que seria longe, eu estaria sozinha, sem família por perto.
Eu já tive 16.
Eu batia as portas da casa a cada vez que me impediam de Ser. E hoje, sonho com filhos adolescentes que destemidamente batam a porta na minha cara, pra me provar que o Mundo não os impedirá.
Eu já tive 16.
Eu não queria casar. Achava todo e qualquer tipo de rédea a coisa mais fora de propósito na vida humana. Ouvia que um dia eu quereria ter pra onde e quem voltar.
Eu já tive 16.
Eu voltava das festinhas na USP com os amigos -que se drogavam na minha frente e eu, sempre careta, deixava o cara Ser, sem rotular- à pé. Algumas vezes, voltava mais de meia noite, quando os encontros eram mais próximos da minha casa, sozinha. Não deveria, já que era perigoso e alguém poderia me abordar no escadão de acesso à minha rua.
Eu já tive 16.
Eu achava que a vida pra quem era ignorante era um profundo tédio e, por isso, me via diferente e achava que o mundo seria meu a partir do momento do meu nome e RG estando contidos na lista da Fuvest. E me diziam que o mercado de trabalho e os elos sociais não eram tão simples assim.
Eu já tive 16.
E nesta época, eu bem pouco temia.
E mesmo do escuro: eu me livrava dele olhando profunda e minuciosamente tudo o quê ali poderia existir, naquele mundo oculto de penumbra. 
Não é novidade pra ninguém o tal terceiro olho que me acompanha e que, hoje, eu domino.
Mas ali, naqueles 16 anos, eu me sentia gigante porque saber que temia o escuro e ainda assim o encarava.
Hoje eu moro só e lido com isso bem demais.
Primeiro porque não há solidão total depois da Internet: meus Amigos estão todos aqui e, tantas vezes, eu não quero tirar o roupão pra coabitar com.
Hoje, temos ainda o advento do 'spertophone', e isso sim é a glória: mensagens picantes na calada da noite pra apartar saudade, bom dia desarvorado pela manhã de amigo em apuro, um pedido de socorro e 'venha até aqui' num fim de tarde: todos me acham quando querem. E eu a eles.
Há o agravante de ser filha única, primeira neta, primeira sobrinha, ter trabalhado por anos a fio numa biblioteca. Tantas vezes, meus amigos que me vêem no oba-oba, passam dias ao meu lado e perguntam: "o quê você tem?".
Nada. 
O silêncio e a solidão me compõem. E hoje, de maneira saudável: eu preciso deles.
Hoje eu não bato portas.
Fico me perguntando quem existe do outro lado. E me pergunto porque do lado de cá eu precisaria bater portas pra Ser. E me sinto tolhida por tudo isso. Acho mesmo que o tacape é meu companheiro e adestrá-lo é das coisas mais dolorosas pra mim. E quase sempre, não sei como agir com meus instintos primitivos. E que são absurdamente aflorados. Fazer o quê pra segurar a natureza?
Nada.
O 'ser social' significa coabitar dentro do politicamente correto, no fim das contas. E infelizmente.
Hoje eu já carrego um histórico de casamento e descasamento. Alguns relacionamentos. E tudo o quê mais faço na vida é criar laços duradouros, que me prendem e seguram nas minhas próprias emoções. Não me refiro propriamente a Amores passados e só. Eu me refiro aos Amigos presentes e à Minha Família, que pode ter todos os defeitos do mundo, mas é de onde eu vim. É ali que tudo começa. Eu sempre tenho pra quem voltar. E pior: eu sempre tenho por quem nunca ir. Como fazer pra lidar com isso?
Nada.
Individualidade não caracteriza falta de laço.
Hoje, eu, que não rotulava, passei a ter de fazer pra entender e categorizar. E lido todos os dias com os milhares de rótulos que me são impostos.
Eu temo o farol no cruzamento. Temo o bêbado dirigindo às sextas feiras. Temo a violência urbana. E eu temo pelos que vigio e zelo, pra ainda mais agravar o quadro. O Meu Amor é de Vigília. Eu guardo. Eu poupo. Eu pondero. Eu sou matriarca no melhor e no pior da palavra. Hoje eu temo. E o quê se há de fazer pra destemer?
Nada.
Viver é um triz e temer é processo.
Hoje sou formada pela melhor Universidade da América Latina, falo fluentemente uma segunda língua, arrasto noutras, tenho conhecimento de usuário profissa em informática e moderado em outras tecnologias, sou articulada, falo de múltiplos assuntos, tenho uma boa teia de relacionamentos, gosto de gente, mas... o meu maior e melhor conhecimento aleatório é em psicologia, justamente pra poder dar conta do tamanho do angu. E como e o quê fazer pra ser capaz de se sentir seguro no mundo prático?
Nada.
Não existe segurança naquilo que é mutante.
Hoje eu continuo a enfrentar escuros.
Os próprios.
E dentro deles, cabe a aproximação entre iguais.
Eu ainda quero entender porque a gente tem tanto medo de SER FELIZ.
Eu ainda vou achar o meu caminho pra driblar isso.
E vou conseguir dar a mão pra quem também não achar o próprio.
É curioso, mas talvez valha dizer que tenho ouvido recentemente, e repetidas vezes de alguém importante pra mim que... eu sou 'cuzona'.
É.
Eu sou, confesso.
Sob alguns aspectos: sou.
E observando daqui: este alguém não é muito diferente. Há ali também um quê -bem demarcado, tanto quanto em mim, diga-se de passagem- de 'cuzão'.
Olho pro lado e vejo que a maioria dos Meus Grandes Amigos, os Meus Irmãos de Alma, estão com os mesmos medos que eu.
Por vezes, as nuances mudam.
Outras, são idênticas.
... "como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora"...
Eu ainda vou descobrir -em mim e no outro- em quê momento a gente permite que a porta batida vire o muro eletivo. Ou que o medo do assalto nos impeça de ir.
O meu mundo é uma enorme 'Cuzoneland'.
E daqui, do meu temeroso escuro, o meu maior medo é de que a gente se permita nunca ser capaz de voltar a ter 16 anos.
Eu.
E todos os Meus Cuzões.
Amor.
Amigos.
Família.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Deixando a roda girar.

Eu não sei.
Mas eu tenho um pouco de medo de gente que não é e não deixa ser...

Eu não sei.
Mas eu acho que o mundo, a vida, as pessoas... é tudo tão plural, tão maior, que querer me saber, me detestar, me fuçar... é realmente uma perda de tempo.

E obviamente: não do MEU tempo.
O meu tempo tem de ser gasto COMIGO.
E que bom que assim é. Serião.

Daí é só somar:

EU gasto MEU tempo COMIGO + VOCÊ gasta SEU tempo CONSIGO = a Roda do Mundo girando.

O Mundo.
Não a tua órbita.
TUA órbita em torno de MIM.

Sendo:

Vida = Mundo;
Eu = Estrela do MEU Mundo;
Você = Satélite de... X?

Escolha ser o quê quiser NO Mundo.
Seja DO Mundo.

Mas nunca, jamais do MEU MUNDO.

Sempre é tempo.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Dos conselhos.

Funciona assim: quem não se conhece, deveria manter a boca fechada.
Por um motivo muito simples: conselho gratuito, se fosse bom, a gente cobrava por.
Só que quando um Amigo te procura pra pedir colo, ele tá precisando.
E o caminho é um só: a gente usa o próprio repertório pra ajudar. É inevitável.
E se o teu repertório vier equivocado: Fuéeeeeeeeen!
A menos que você seja apto a se distanciar do problema: é formado em Psicologia? Não? Então se fecha!

E quase sempre, a gente se aproxima de pessoas afins. Nem que seja só em caráter. E se você for capaz de se relacionar com gente diferente de você: isso prova o tamanho da tua maturidade psíquica. Neste caso até te dou um ponto, se abrir a boca.
[Mas ó: honestidade, tá? Não é porque tu não discute no trabalho que se relaciona 'bem' com gente diferente de você. Autoengano: Oi.]

Agora: ser conselheiro quando você mesmo se camufla: Você não está fazendo isto direito. Volte sete casas.

Daí o cara depois reclama dos Vereadores que não sabem porque tão ali, ou Deputados: como votar naquilo que não se conhece, não é mesmo?

Não tem poder de voto?
Fecha a passagi di cumida, fecha, Fofura?

Daí quase sempre os meus exemplos são meus próprios erros: só tenho envergadura moral pra falar deles.

Acho.